Suzanne Plunkett para The New York Times
Suzanne Plunkett para The New York Times

Teatros de Londres adotam câmeras para monitorar fãs barulhentos

Proprietários procuraram solucionar problemas por causa de celulares, despedidas de solteiro e bebedeiras de clientes

Alex Marshall, The New York Times

21 de agosto de 2019 | 06h00

LONDRES - O West End é tradicionalmente considerado um lugar distinto, visitado por multidões que querem ver de perto grandes atores e astros de musicais com toda a tranquilidade. Mas depois de vários problemas por causa de celulares, turbulentas despedidas de solteiro e bebedeiras de clientes com gin trazido de fora, alguns proprietários de teatros decidiram que estava na hora de usar ferramentas high-tech para controlar as multidões: as microcâmeras.

No mês passado, The Stage, uma publicação britânica sobre o mundo teatral, revelou que várias casas de espetáculo da capital adquiriram os dispositivos para combater um número crescente de fãs agressivos movidos a álcool. “Quando você mistura álcool e o ambiente teatral, as situações podem ficar exacerbadas”, disse ao jornal Phil Brown, diretor da área de risco e segurança da Sociedade dos Teatros de Londres. As pequenas câmeras são presas à cintura ou à camisa, e têm tela frontal que mostra a imagem que está sendo gravada. As pessoas se acalmam quando veem o quanto perderam a compostura, acrescentou.

Sete teatros de Londres estão usando a tecnologia, segundo Julian Bird, diretor executivo da Society of London Theater, embora se recusasse a dar nomes. Ele afirmou que, na sua opinião, os dispositivos só são usados por seguranças, ou pelos gerentes dos teatros. Em março, a Society of London Theater, e o UK Theater, outro organismo do setor, pediram aos seus membros que informassem casos de mau comportamento do público. Foram denunciados 44 incidentes, disse Bird, para mais de 14 milhões de ingressos vendidos.

Nem todos foram rápidos em menosprezar denúncias contra clientes mal comportados. Adam Charteris, 28, um ator que trabalha como porteiro entre um trabalho e outro, disse que foi insultado por alguns espectadores, e que presenciou algumas brigas. Anos atrás, no Dia dos Namorados, “dois casais começaram a se atracar no meio da fila J”, ele contou. “Foi uma coisa incrível”.

Segundo Charteris, a opinião geral entre os porteiros é que o público dos chamados musicais de jukebox tem um péssimo comportamento. Estes espetáculos, que incluem canções populares muito famosas, em geral acabam com o público cantando e dançando com em um show de rock e não em uma peça. Em maio de 2018, a English National Opera proibiu garrafas de água abertas depois que “alguém se embebedou com gin trazido de fora, e jogou um pão inteiro no auditório”, disse Stuart Murphy, o diretor executivo da ópera ao jornal The Daily Telegraph.

Kirsty Sedgman, professora de teatro que escreveu um livro sobre o comportamento dos vários tipos de públicos, disse que as brigas na plateia são tão antigas quanto o próprio teatro. O que é novo, afirmou, é o choque cultural entre os públicos mais antigos, que querem silêncio, e os mais novos, que vão ao teatro para uma noite de brincadeiras.

Depois de uma recente apresentação, uma despedida de solteiro se postou do lado de fora do teatro para tirar fotografias. Emma Simpson, 46, disse que as microcâmeras parecem uma ideia brilhante. “Acho que as pessoas devem poder se divertir, mas sem exagerar, sem estragar o prazer dos outros”, ela disse. O seu grupo havia feito o possível para não incomodar, prosseguiu. “Nós até guardamos as nossas orelhas de coelho”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.