Gabriela Baginski para The New York Times
Gabriela Baginski para The New York Times

Tecnologia é aposta para trazer popularidade aos carros elétricos

Atualmente, a baixa autonomia, o longo tempo de recarga e a pequena disponibilidade de postos são os principais problemas desses modelos

Neal E. Boudette, The New York Times

18 de fevereiro de 2019 | 05h00

ANN ARBOR, MICHIGAN - Ken Westerman por pouco não comprou o seu primeiro carro totalmente elétrico, um Tesla Modelo 3. Disposto a trocar o híbrido que dirige há anos, um Toyota Prius vermelho, testou esse novo modelo. Ficou impressionado com o carro, mas concluiu que o limite de sua autonomia - 480 quilômetros em uma só carga - complicaria as viagens regulares de Ann Arbor à Costa Leste e Arkansas.

"São viagens de seis a oito horas e, se tiver de parar para recarregar, isto vai implicar em duas horas a mais cada vez", disse Westerman. "Adorei o carro, mas o seu limite de autonomia me impediu de comprá-lo". Nos próximos três anos, as empresas automotivas lançarão dezenas de automóveis totalmente elétricos e veículos híbridos ‘plug-in’. A estratégia baseia-se no pressuposto de que muitos donos de automóveis comuns deixarão os carros a gasolina.

Talvez seja mais difícil persuadir os consumidores comuns do que os que podem comprar carros de luxo, os ambientalistas intransigentes e os que imediatamente optaram por esta modalidade comprando Modelos 3 e favoreceram o rápido crescimento das vendas do Tesla.

As fabricantes concluíram que os avanços da tecnologia e a queda dos preços das baterias permitirão produzir carros elétricos com uma autonomia muito maior e tempos de recarga muito mais rápidos, e isso já está se tornando uma realidade.

Para os carros elétricos em geral, um grande obstáculo é a disponibilidade de postos de recarga. Embora esteja havendo um aumento constante destes serviços nos shopping centers e nos estacionamentos, ainda é consideravelmente menor do que o número de postos de gasolina em todo o país.

O tempo de recarga é outro problema. Os próprios supercarregadores da Tesla levam 40 minutos para repor 80% da carga. Em casa, o processo toma em geral uma noite inteira. Mas, agora, as fabricantes terão a ajuda da Electrify America, uma companhia criada com recursos da Volkswagen como parte do seu acordo de solução de disputas, após o escândalo da ocultação das emissões de diesel.

Com um orçamento de US$ 2 bilhões, a Electrify America pretende instalar inicialmente 600 carregadores em postos de gasolina, e 1,5 mil em estacionamentos de edifícios de escritórios e de apartamentos. Depois, haverá mais três séries.

Mesmo assim, a rede da Electrify America provavelmente atenderá a apenas 10% das necessidades do país até 2021, informou em novembro o diretor executivo da companhia, Giovanni Palazzo. A empresa espera também instalar nos próximos anos carregadores de mais kilowatts, que teoricamente fornecerão uma carga total em cerca de 15 minutos.

Uma vantagem com a qual contam as automotivas é a maior variedade dos carros que colocarão no mercado. "Neste momento, a variedade não é muito grande, mas à medida que forem lançados SUVs menores e médios, o número de compradores aumentará", afirmou Brian Maragno, diretor de estratégia de vendas e marketing de veículos elétricos da Nissan. "O mercado será muito diferente dentro de alguns anos."

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