Camilo Fuentealba/The New York Times
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Shane O’Neill, The New York Times - Life/Style

14 de janeiro de 2022 | 05h00

Parece que chegou a hora de tirar os jogos da prateleira. Mas se você é uma das milhares de pessoas no mundo todo que jogam Warhammer, provavelmente nunca chegou a guardá-lo.

Warhammer 40.000, jogo de tabuleiro que se passa em um universo distópico ficcional, não é novo. Mas a busca frenética por jogos de ficção científica e fantasia durante a pandemia, como Dungeons & Dragons, foi responsável por apresentá-lo a um grupo de jogadores totalmente novo.

Conhecido como Warhammer 40000, o jogo se desenrola em maquetes e cenários com figuras em miniatura que os jogadores montam, modificam e pintam. O jogo em si demanda muita aritmética, além de um manual de regras, dados, fita métrica (para determinar o raio de ação dos personagens) e até um laser opcional (para verificar se há uma linha de visão clara para que ocorra um ataque). E o custo vai aumentando rápido: comprar e preparar novos personagens em quantidade suficiente para um jogo decente chega a custar mais de US$400. Mas isso não parece ser impedimento.

Warhammer 40000 é o produto mais popular da empresa britânica Games Workshop. Sua popularidade impulsionou as ações da empresa, cujo valor aumentou mais de 60 por cento nos últimos dois anos.

Celebridades que gostam de jogar, como Ed Sheeran e Ansel Elgort, chamaram ainda mais atenção para o jogo. Shayna Baszler, lutadora da WWE, já usou vários figurinos baseados no universo Warhammer.

Em participação recente no The Graham Norton Show, o ator Henry Cavill mencionou que montar e pintar miniaturas de Warhammer é um de seus hobbies.

"Posso jogar com você? Parece incrível", comentou Tom Holland, colega de Cavill nos papéis de super-herói e convidado do programa.

Para jogadores experientes de Warhammer, esse novo interesse pelo jogo foi uma grata surpresa.

"Warhammer sempre foi um jogo de nerds que se divertiam com soldadinhos de brinquedo, e ninguém entendia por que adultos o jogavam. E agora, vem se tornando mais comum, já que a cultura nerd está sendo cada vez mais aceita pelo público em geral", afirmou Nick Nanavati, de 27 anos, comentarista profissional de Warhammer e fundador da Art of War (arte da guerra), empresa de treinamento para competições do jogo.

Embora o universo Warhammer seja expansivo e complexo, não é preciso entender todas as regras e conceitos para apreciar o jogo.

O primeiro manual de regras de Warhammer foi publicado pela Games Workshop em 1987. Contudo, ao longo dos últimos vários anos, o mundo do jogo vem se expandindo consideravelmente, assim como sua legião de fãs.

"Certamente, crescemos bastante nos últimos seis ou sete anos, e acho que isso tem muito a ver com nossos fãs", ponderou Andy Smillie, de 37 anos, diretor digital e de marketing da Games Workshop. Parte desse esforço foi a criação do Warhammer Plus, serviço de assinatura que oferece "apps de animação, eventos e mais", por US$5,99 ao mês.

A atual popularidade do jogo pode estar relacionada a seus temas sombrios, que combinam bem com este momento difícil pelo qual estamos passando. Não há personagens bonzinhos no universo Warhammer 40000. Os humanos são basicamente divididos entre o Império do Homem - um grupo fascista que serve a um "deus-imperador" que exige o sacrifício diário de mil almas humanas - e seus inimigos, as Forças do Caos.

A maioria dos fãs aprecia de forma irônica ou exagerada as várias facções dentro do universo do jogo, que incluem Orks, Space Marines e uma divisão homicida de mulheres humanas chamada Adepta Sororitas.

"Acho que esse hobby une as pessoas", opinou Ezekiel Lytle, de 26 anos, na loja Brooklyn Strategist, onde dá aulas de Warhammer e vende miniaturas customizadas do jogo.

Vários outros fãs que estavam na loja enfatizaram que os jogos os conectaram a pessoas com perfis muito variados. Todas os entrevistados para esta matéria, no entanto, observaram que os fãs de Warhammer são majoritariamente homens.

Lytle citou Warhammer como uma alternativa aos hobbies baseados em telas. Ex-jogador profissional de videogames, ele retomou seu hobby de infância há alguns anos. "Quando voltei a jogar Warhammer, nunca mais toquei no controle do videogame".

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