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Jonas Opperskalski / The New York Times
Jonas Opperskalski / The New York Times

Serviço de ônibus aos sábados proporciona nova liberdade

Cerca de 10 mil israelenses agora podem viajar gratuitamente nas noites de sexta-feira e sábado; medida não foi bem recebida por parte da população

David M Halbfinger, The New York Times

18 de janeiro de 2020 | 06h00

TEL AVIV – O ritual por achar um estacionamento numa noite da sexta-feira estava no auge, numa véspera de Sabbath, mas por uma vez, Rob e Netta Geist Pinfold estavam só observando com um sorriso nos lábios. O casal havia ido e voltado de Ramat Aviv em um mocro-ônibus. E de graça.

Cerca de 10 mil israelenses agora podem viajar gratuitamente nas noites de sexta-feira e sábado desde que a prefeitura de Tel Aviv e a de cidades próximas implantaram uma nova rede de trânsito somente para o Sabbath. “Esperamos muito por isto”, comemorou Sofia Rabinovich, de 18 anos, que estuda na Universidade de Tel Aviv e sempre precisava que o namorado a levasse até a cidade para se encontrar com as amigas.

Tel Aviv há muito reduziu a sua movimentação por causa do fechamento obrigatório dos transportes públicos em observância do Sabbath, conforme exige a lei. No lado oeste de Jerusalém, rigorosamente religioso, onde a observância do Sabbath é a regra, a pausa do serviço de ônibus afeta relativamente poucas pessoas. Não é o que não ocorre em Tel Aviv, onde as noites da sextas-feiras levam multidões a cafés e bares.

O novo serviço de ônibus foi introduzido pelo prefeito da cidade, Ron Huldai, de 75 anos. Huldai disse que, desde 1990, quando assumiu o cargo, queria expandir o serviço público no Sabbath.

Uma brecha na lei tornou a sua medida legal. A proibição só se referia ao transporte público pago. Nada impedia que a prefeitura usasse seus recursos para colocar em serviço ônibus destinados ao transporte gratuito dos passageiros.

O baixo custo tornou a iniciativa viável. A implantação do serviço de veículos com 19 lugares para atender à área do metrô desde o começo da noite das sextas-feiras até 2h da madrugada do sábado, e recomeçando em seguida às 9h, precisou de apenas US$ 3,6 milhões anuais, dividido com as prefeituras de Ramat Hasharon, Giv’atayim e Kiryat Ono.

No entanto, somente em setembro, depois que as segundas eleições parlamentares de Israel naquele ano resultaram em mais um impasse, Huldai deu o sinal verde ao projeto.

O impasse, em razão do qual o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e seus aliados ultra-ortodoxos não conseguiram formar um governo, criara uma abertura. Os eleitores não religiosos protestaram contra a influencia dos ultra-ortodoxos e dos parlamentares ultra-ortodoxos do partido não queriam outra briga. “Eu sou secular”, disse Huldai. “Mas às vezes, Deus trabalha por nós”.

Houve objeções, é claro. Bezalel Smotrich, o ministro dos Transportes, disse que ficou "aflito" por causa do serviço de ônibus. Moshe Gafni, do Partido do Judaísmo Ultra-ortodoxo Unido, o definiu um “desastre em escala nacional”. Os lojistas para os quais o sábado é o único dia de descanso queixaram-se de que os seus clientes não religiosos – que inesperadamente agora podiam ir aos shoppings abertos – os abandonariam.

Mas as multidões de passageiros que usavam os micro-ônibus em Tel Aviv em uma sexta-feira recente fizeram suas reivindicações. Linda Lovitch disse que vai à sinagoga, mas ficava revoltada por não ter transporte público em deferência aos mais religiosos. “Por que eu não deveria ir à praia ou a Jaffa ou a qualquer outro lugar?”, questionou. “Se as pessoas querem isto, por que não deveriam conseguir? Isso é democracia”.

Para Vicky Purmishar, de 48 anos, os micro-ônibus chegaram em boa hora. Sua mãe de 79 anos foi hospitalizada em novembro com uma doença degenerativa do cérebro. Ela ficou cega e não consegue se alimentar sem engasgar.

Vicky, que não dirige, a visitava duas vezes ao dia a fim de ajudá-la a se alimentar. Segundo ela, as viagens gratuitas podem ter salvo a vida de sua mãe. “Foi como se Deus me tivesse enviado uma maneira para eu vir até aqui”, justificou. IRIT PAZNER GARSOWITZ CONTRIBUIU PARA A REPORTAGEM

TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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