Jeenah Moon para The New York Times
Jeenah Moon para The New York Times

Trazendo cores vibrantes para um espaço solene

Artistas de rua estão pintando, com permissão, o espaço onde antes ficava o World Trade Center

Jane Margolies, The New York Times

28 de junho de 2018 | 10h15

Dois anos atrás, a Silverstein Properties convidou artistas de rua para decorar um andar vazio em um de seus prédios de escritórios no local do World Trade Center. Agora, numa parceria com a autoridade portuária de Nova York e Nova Jersey, a construtora presenteou os artistas com um espaço público nas imediações onde eles podem exibir seus talentos.

Os barracos de chapas de metal abrigam equipamento que um dia será usado no 2 World Trade Center, uma torre de escritórios da Silverstein cuja construção está em pausa enquanto a incorporadora busca um novo interessado em alugar o espaço. Rick Cotton, diretor executivo da autoridade portuária, que é dona do espaço do World Trade Center, sugeriu que os artistas fossem convidados para dar mais vida aos barracos e dar à área uma aparência “mais acabada”, disse ele. O presidente da Silverstein Properties, Larry A. Silverstein, concordou.

Os artistas, que receberam US$ 1.000 para a tinta e US$ 2.000 pelo trabalho cada, tem estado ocupados nas escadas e braços mecânicos para completar os seis murais. Outros dois são esperados, e as obras devem ficar em exposição por pelo menos um ano.

O trabalho no local do World Trade Center, onde ficavam as torres gêmeas até o ataque terrorista de 11 de setembro, carrega um peso emocional, e os artistas se viram diante da enormidade dessa perda. Mas muitos falaram na determinação de equilibrar o pesar com a arte que eleva os ânimos.

Brolga

O ilustrador australiano conhecido como Brolga começou na arte de rua enquanto frequentava o Instituto Pratt e vivia no Brooklyn. No tempo livre, ele usava tinta spray para pintar seus personagens em tamanho real sobre cartazes que ele colava pelo bairro. Para o projeto atual, o artista de 31 anos busca transmitir uma mensagem de vibração e alegria usando imagens coloridas como um tucano e um tigre de três olhos. “A história da região tem muito peso emocional”, disse ele. “Procurei um contraste com isso, criando algo animador.”

Todd Gray

Durante mais de três décadas, Todd Gray, que mora em Los Angeles, fez pinturas e esculturas inspiradas na pop art dos anos 1960 (ao mesmo tempo administrando um império de máquinas de doces e fundando uma empresa de armários). Gray, 55 anos, reconhece que ficou nervoso quando viu pela primeira vez a fachada de 20 x 7 metros designada a ele no 2 World Trade Center. Mas, depois de começar seu mural no estilo colagem, apostando numa adaptação de uma escultura que aproveita elementos gráficos inspirados em Warhol e Lichtenstein, ele diz ter achado “surpreendentemente tranquilo trabalhar com duzentas mil pessoas do mundo inteiro observando”.

Stickymonger

Nascida na Coreia do Sul, Joohee Park, 37 anos, adotou o nome Stickymonger porque frequentemente usa moldes de vinil adesivo para criar mundos de fantasia em sua arte. O papel da região de Lower Manhattan, enquanto central de transportes, inspirou a peça dela, “Cosmic Traveler”, mostrando uma garota em outro planeta “que encontrou um portal mágico através do qual consegue enxergar nosso mundo”, disse a artista.

Chinon Maria e Sebastian Mitre

Enquanto Chinon Maria, 33 anos, e Sebastian Mitre, 35 anos, pintavam a peça “Vesey Street in Bloom”, enchendo-a de rosas vermelhas e claras, a história de amor dos dois estava se desenrolando. Ficaram noivos enquanto trabalhavam no mural e em maio fizeram o casamento. O mural, inspirado nas placas de rua de Lower Manhattan, é uma extensão do compromisso de Chinon de usar sua arte para dar mais vida e, nas palavras dela, “trazer uma narrativa feminina mais forte” para os espaços públicos - meta compartilhada por Mitre, que atua como empresário da mulher além de companheiro de tintas.

BoogieRez

Risa Tochigi, conhecida como Riiisa Boogie, criou murais no Brooklyn, em Denver e Poughkeepsie, Nova York, onde a artista nascida no Japão reside atualmente. Mas ela diz que pintar nas chapas de metal corrugado é um desafio. “São necessárias três mãos de tinta em vez de uma” - as superfícies superior, intermediária e inferior, indicou ela. “E preciso clarear áreas sobre as quais a textura do metal faz sombra.” Ela se manteve motivada com os comentários positivos dos transeuntes enquanto criava sua figura central, uma garota abraçando personagens dos desenhos animados, em parceria com Rezones. Um senhor japonês disse a Risa que se sentia honrado com o trabalho dela, e uma mulher disse que as cores vibrantes - num local tão solene - trouxeram lágrimas aos seus olhos.

Hektad

Um dos pioneiros do graffiti, Hektad usou cerca de 300 latas de spray para completar “Amor es Amor” - um mural de corações sobrepostos. Este nativo do Bronx de 48 anos esperava que sua mensagem de amor - tema comum na sua obra - funcionaria como um alívio para aqueles que visitam o memorial nacional e museu do 11 de setembro. “Tomara que isso ajude as pessoas a se sentirem um pouco melhores ao deixarem a área.”

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