Ricky Rhodes para The New York Times
Ricky Rhodes para The New York Times

Trotes graves em executivos de tecnologia viram dor de cabeça para polícia

Fóruns online trazem detalhes pessoais de possíveis alvos, como líderes do setor tecnológico e suas famílias

Sheera Frenkel, The New York Times

07 de fevereiro de 2020 | 06h00

SÃO FRANCISCO - Ao longo da primeira semana de novembro, a polícia de São Francisco e Nova York respondeu a uma série de telefonemas alegando haver reféns nas casas de Adam Mosseri, importante executivo do Facebook. As chamadas pareciam vir de dentro das casas. Os policiais chegaram em grande número e isolaram as ruas do lado de fora. Duas vezes. Mas, após tensos impasses que duraram horas, a polícia percebeu que se tratava de um trote.

Mosseri foi um dos executivos da indústria de tecnologia que se tornaram alvo recentemente de incidentes falsos envolvendo as forças especiais da polícia, algo que recebe o nome de Swatting (o batalhão de operações especiais da polícia americana é chamado SWAT). Incidentes do tipo se tornaram mais comuns em regiões que abrigam um grande número de empresas de tecnologia, como a Baía de São Francisco e Seattle, de acordo com seis departamentos de polícia com os quais a reportagem entrou em contato.

Particularmente, os episódios de Swatting envolvendo o Facebook se tornaram mais frequentes, de acordo com funcionários da empresa. Nos anos mais recentes, a rede social passou a reprimir contas falsas, linguagem ameaçadora e outros tipos de conteúdo que violam suas regras.

Os ataques foram facilitados por fóruns de debate na internet e nas páginas da chamada dark web. Nesses fóruns, milhares de pessoas são identificadas pelo nome, entre elas executivos, engenheiros e seus parentes, com dados como número de celular, endereço e outras informações.

Alguns comentam as técnicas que podem ser empregadas - como tecnologias de clonagem de número que podem ser usadas para fazer com que os serviços de emergência acreditem que o chamado vem de dentro da casa do alvo. A polícia e as empresas de tecnologia enxergam uma correlação entre esses trotes e a remoção de contas de redes sociais por comportamento ameaçador ou discurso de ódio. Acredita-se que o swatting é feito como retaliação contra essas medidas.

Em Seattle, as pessoas que acreditam correr o risco de serem alvos desses trotes podem incluir suas informações em um diretório da polícia. Quando uma chamada de emergência é feita, a polícia verifica se o lar envolvido consta no diretório. Caso afirmativo, a polícia telefona para o lar na tentativa de falar com alguém lá dentro. “O diretório foi uma iniciativa voluntária que criamos, uma etapa simples e eficaz para aqueles que sabem estar entre os alvos desses trotes”, disse Carmen Best, comissária de polícia de Seattle. 

A abordagem de Seattle é incomum. Nenhum dos outros departamentos policiais com os quais a reportagem entrou em contato disse empregar estratégia semelhante. Facebook, Google e Twitter não responderam aos pedidos da reportagem comentando as eventuais medidas que tenham adotado para proteger seus funcionários da prática do swatting. 

Em ataque realizado contra outro executivo do Facebook no ano passado, policiais cercaram o lar da vítima na Califórnia depois de serem avisados que ele corria o risco de ferir a si e a sua família. O incidente foi resolvido sem que ninguém se ferisse. “Todos estão expostos ao risco de serem vítimas de um trote envolvendo as forças especiais da polícia, mas quem trabalha nas empresas de tecnologia costuma ser escolhido como alvo”, disse a comissária Carmen. “Temos que controlar essa situação antes que mais pessoas sejam feridas.” / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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