Nieks Ackermann / The New York Times
Nieks Ackermann / The New York Times

Turismo alpino: como chegar ao topo da montanha sem o teleférico

Resorts registram aumento de esquiadores que preferem subir por conta própria

Biddle Duke, The New York Times

03 de dezembro de 2019 | 07h41

A tendência mais acentuada no esqui alpino, hoje, é deixar de lado exatamente a coisa que ampliou este esporte: o teleférico. Subir pelas encostas das montanhas, onde anteriormente somente os mais persistentes se aventuravam, é uma prática que está sendo adotada em todo lugar quando há neve, para chegar às áreas fora das pistas.

O esqui na subida de uma montanha – mais conhecido como skinning ou turismo alpino –utiliza um material de nylon conhecido como ‘skins’, na base dos esquis, permitindo que os esquiadores subam sem escorregar para trás.

O atrativo desta modalidade é uma combinação de saúde do coração, satisfação por vencer a subida com as próprias forças e, para os que estão fora das pistas, conectar-se com a natureza e escapar das multidões que invadem as estações de esquis. “O ‘skinning’ e o turismo de esquis é o segmento que mais cresce neste setor”, avaliou Nick Sargent, presidente da associação  Snow Sports Industries America.

Apontando para a importância econômica desta atividade, Aspen, no Colorado, concluiu recentemente uma iniciativa de planejamento que começou há muitos anos, o que lhe permitirá posicionar-se como o destino recreativo de subida das montanhas na América do Norte.

“Nós vemos esta área torna-se um centro de escalada das montanhas, não só como para atrair os usuários, mas para o setor em si, como centro de testes”, afirmou Steve Skadron, o ex-prefeito de Aspen que chefiou a iniciativa.

O projeto econômico e recreativo de subida de esquis em Aspen exige  a melhoria de praticamente todos os aspectos da modalidade. O próprio centro da cidade se tornaria um polo de atividades desta versão do esqui, com uma melhor sinalização, acesso, informações sobre segurança, trilhas, terreno para os que começam no esporte e medidas de preservação.

Embora o “skinning” – tanto de esquis quanto de snowboard – seja o principal aspecto da iniciativa, a subida pode incluir também  caminhadas, corrida, esqui nórdico e ciclismo de montanha. À medida que esta atividade se torna popular, entusiastas usam cada vez mais estas áreas para subir e descer de esquis.

Os resorts brigam pelas melhores soluções para atender ao grande número de aficionados, traçando as rotas para a subida e a descida, as normas e os horários a fim de evitar desentendimentos com a clientela que usa o teleférico. Alguns proíbem a atividade por motivos de segurança, principalmente o perigo de avalanches e possíveis problemas com a manutenção dos equipamentos. Outros, como a Aspen Highlands, permitem a subida diária, durante todo o dia.

Aumento de esquiadores

As vendas de equipamentos para turismo alpino (esquis, botas, engates) subiram aproximadamente 400% nos últimos dez anos, segundo a empresa de pesquisa de mercado NPD Group. “Atualmente, todo mundo nestas comunidades de montanha tem ambos os equipamentos, um para os teleféricos e outro para o ‘skinning’ ”, explicou Doug Stenclik, proprietário das lojas de esquis Cripple Creek Backcountry.

Oito anos atrás, Stenclik abriu sua primeira loja em Carbondale, também no Colorado. O negócio prosperou, e então ele abriu uma sucursal em Aspen, há quatro anos. “Os esquiadores estão literalmente correndo para as áreas longe das pistas e dos mega resorts”, afirmou Erik Lambert, que, com o seu sócio, Jeff Woodward, planeja abrir a BlueBird Backcountry, uma estação de esquis sem teleféricos, na região central do Colorado. “As pessoas procuram o desafio, a boa forma, maneiras de estar na natureza, longe das multidões, e é isto que a nossa área oferecerá ao público”, continuou Lambert.

O projeto, que se concretizará nos próximos anos é uma estação de esquis com todos os serviços que só poderá ser alcançada com equipamento de ‘skinning’.

Segundo Lambert, a pesquisa de mercado da Bluebird mostrou que as pessoas que amam este esporte gostam de locais receptivos e seguros para praticá-lo. “A cultura destes esportes – escalar, surfar e o ski touring -  intimida", destacou . “Queremos fazer com que o esqui de backcountry tenha uma boa recepção da parte do público”.

É isto que Aspen tenta fazer. Abraçar o ski touring coaduna-se com a sua fama histórica pioneira, no esporte”, afirmou Skadron.

A cidade já hospeda duas das maiores competições de esqui de montanhismo da América do Norte, o Grand Traverse e o Audi Power of Four Ski Mountaineering Race. “É uma loucura  como o ‘skinning’ está crescendo. Ocorre que esta versão é uma parte absolutamente integrante do que queremos fazer aqui”, pontuou Jeff Himle, porta-voz de Aspen. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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