Dalia Khamissy para The New York Times
Dalia Khamissy para The New York Times

Turismo no Líbano cresce com práticas sustentáveis

Movimento verde está se desenvolvendo com florescimento do turismo local

Lindsey Tramuta, The New York Times

08 de setembro de 2019 | 06h00

Os libaneses são compreensivelmente orgulhosos do seu país. Em menos de duas horas, pode-se ir do Mediterrâneo às florestas de cedro na Reserva da Biosfera no Sul, ou até os picos cobertos de neve do Monte Líbano. Mas a ausência de uma ampla regulamentação, das construções à gestão do lixo, coloca tudo isto em risco.

Agora, toda uma geração está criando iniciativas na área social com o objetivo de proteger a terra, as tradições e os artesãos desta nação do Oriente Médio com um passado dilacerado pelas guerras. Práticas sustentáveis estão ganhando força, lançando raízes no exuberante interior e na capital Beirute, cidade litorânea de cerca de 2,2 milhões de habitantes.

O movimento verde está se desenvolvendo com o florescimento do turismo. O Líbano registrou um aumento de 8% do número de turistas estrangeiros nos primeiros sete meses de 2019 em relação ao mesmo período de 2018, segundo o Ministério do Turismo. Os viajantes  conscientes do seu impacto na economia e no ambiente de um destino podem encontrar uma crescente quantidade de empreendimentos libaneses dotados de igual preocupação.

Ramzi Salman criou o Bkerzay, o maior complexo hoteleiro do Líbano dotado de energia solar, nos Montes Chouf, durante a crise do lixo em 2015, quando os dejetos se amontoavam por todo o país. “Adquiri o terreno para transformá-lo em alguma coisa que beneficiasse a comunidade”, afirmou. O hotel emprega guias locais para as trilhas de caminhada e artesãos para o restaurante, a oficina de cerâmica e o spa.

A obra de urbanização de Salman tem uma visão ampla da região do Chouf logo abaixo, e fica a apenas 10 quilômetros de Beirute. Ele trouxe de volta a arquitetura nacional e decorou as habitações com uma mescla cuidadosa de mobiliário vintage, tecidos produzidos localmente e peças únicas. A aldeia, como Salman chama Bkerzay, ocupa apenas 15% do terreno. “O restante é coberto de florestas e nós pretendemos mantê-lo assim”.

Esta paixão e respeito pela terra também levou Jamil Haddad a criar a Colonel, a primeira cervejaria do Oriente Médio, na cidade costeira de Batroun, onde ele cresceu. A instalação destinada à produção do Colonel foi construída inteiramente com materiais reciclados. Haddad utiliza também embalagens recicláveis. “Não vou parar enquanto não tivermos zero desperdício”.

A preservação das tradições culturais está na origem dos empreendimentos de Kamal Mouzawak. Ele fundou o Souk El Tayeb, o primeiro mercado do produtor rural do país, e uma rede de cozinhas dos produtores populares que servem pratos regionais preparados por mulheres das aldeias vizinhas. Recentemente, ele ampliou suas atividades com uma série de casas de hóspedes chamadas Beit (lar), que preservam as tradições de sua região.

Beit Douma, uma casa de pedra do século 19 restaurada, nos montes Batroun a 80 quilômetros ao norte de Beirute, é cercada por pomares e hortas e é decorada com mobiliário vintage e uma moderna cozinha onde os hóspedes ajudam a preparar as refeições. “Contratamos pessoas da terra que preparam pratos regionais e ensinam as próprias tradições”, explicou Mouzawak. Este se tornou um destino tanto para turistas locais quanto estrangeiros, e trouxe nova vida a Douma.

Nas proximidades, está Maher Harb, o primeiro viticultor biodinâmico. Depois de trabalhar no exterior como consultor financeiro, ele regressou aos montes Batroun para cultivar a terra que herdara. Em 2016, inaugurou a Sept Winery para mostrar a singularidade do terroir libanês.

O seu vinho está chamando a atenção. “A única maneira de recuperar a nossa terra ancestral e revelar a sua beleza e diversidade é obedecendo às leis da agricultura natural e da biodinâmica”, afirmou. “É desse modo que os nossos ancestrais trabalhavam”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.