Chona Kasinger / The New York Times
Chona Kasinger / The New York Times

Twitch: o rei do streaming defende seu trono

O site da Amazon controla 76% do setor de mercado nas Américas e na Europa, ultrapassando Microsoft, Facebook e Twitter

Imad Khan, The New York Times

24 de dezembro de 2019 | 06h00

A Microsoft pagou milhões de dólares para conseguir o maior astro do streaming de videogame. O Facebook assinou um acordo de streaming com a maior companhia de esportes eletrônicos do mundo. O Twitter mostrou em streaming o desaparecimento da Fortnite em um buraco negro.

Apesar de todos os esforços para garantir uma fatia maior do mercado de streaming de videogame, nenhuma conseguiu afetar o poderio da líder do mercado, o Twitch, um site da Amazon que atualmente controla 76% deste setor de mercado nas Américas e na Europa. Sua popularidade atraiu numerosos concorrentes, e todos lutam para conquistar a geração do milênio. A concorrência indica a importância da transmissão ao vivo na indústria do videogame avaliada em de US$ 180 bilhões.

A Microsoft deu passos agressivos na transmissão ao vivo de videogame, começando em 2016 com a aquisição da Beam, uma plataforma de streaming que rebatizou como Mixer, um ano mais tarde. Ela deu o seu passo mais ousado este ano, quando conseguiu um dos maiores astros do Twitch, graças a um acordo de exclusividade com Tyler Blevins, mais conhecido por seu nome online, Ninja. As condições do acordo que deverá se estender por muitos anos não foram reveladas.

Infelizmente para a Microsoft, a contratação de Blevins não contribuiu suficientemente para aumentar as visualizações da Mixer. A plataforma se mantém em 3,2% do mercado de transmissões ao vivo e cresceu apenas 0,2% no terceiro trimestre, segundo a empresa de análise do setor, a StreamElements. E o Twitch aumentou o número de espectadores no trimestre, apesar da perda de Blevins, em agosto.

Mas para competir de fato com o Twitch, e seus 140 milhões de usuários por mês, conforme declarou, a Microsoft precisa fazer algo mais do que gastar alguns milhões de dólares com um astro do streaming. “Quando se tem uma plataforma de streaming, o jogo é de bilhões de dólares”, afirmou Doron Nir, diretor executivo da StreamElements.

Nir não acredita que o acordo com Blevins tenha sido ruim para a Mixer. De fato, chamou ainda mais a atenção da mídia para a plataforma que agora é conhecida por todo mundo. A Microsoft  também contratou Michael Grzesiek, um gamer profissional conhecido como Shroud, e tirou do Twitch Cory Michael, streamer conhecido como King Gothalion. O Twitch existe há mais tempo, e criou a sua própria cultura. Isto permitiu que os streamers, cujo maior ganho vem das assinaturas e das doações, desfrutassem de grande sucesso financeiro. “O diálogo que está se desenrolando se dá em uma linguagem peculiar para a Twitch”, avaliou Mike Aragon, vice-presidente sênior de conteúdo da companhia.

Twitch

O Twitch estimula o sentido de comunidade, o site se envolve com os usuários e fornece instrumentos que lhes permitem aprimorar sua linguagem. Entretanto, mesmo com a competição ferrenha de todas estas companhias de muitos bilhões de dólares, o mercado de live-streaming ainda é muito reduzido.

Depois de quatro anos no Twitch, Chris Covent decidiu ir para a Mixer em 2016. Agora, é um dos maiores streamers da plataforma. Desde então, mudou-se para um bairro residencial de Seattle, e trabalha em tempo integral. “Não acho que tenha vencido”, argumentou, “mas acho definitivamente que consegui algum sucesso." / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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