Cole Barash para The New York Times
Cole Barash para The New York Times

O conselho de uma dançarina de 78 anos: não pare de se mover

Em seu novo livro, "Keep It Moving", coreógrafa Twyla Tharp aplica as lições de uma vida na dança

Gia Kourlas, The New York Times

10 de novembro de 2019 | 06h00

Tome espaço. Alongue-se. Mexa seu corpo. “Deus nos dá um presente: nascemos”, afirmou a coreógrafa Twyla Tharp. “Depois disso, temos que cuidar de nós mesmos.” Seu novo livro, Keep It Moving: Lessons for the Rest of Your Life [Continue se mexendo: lições para o resto da vida], nada tem a ver com a busca pela juventude eterna.

Para Twyla, 78 anos, essa é uma proposta derrotada. “As estatísticas ainda são chocantes em termos de pessoas que não se exercitam ou que não têm consciência da importância da dieta”, afirmou ela. “Se você quer ter um futuro, tem que trabalhar para isso agora.” E Twyla, pioneira na dança e coreógrafa ganhadora do Tony Award, está pronta para ajudar.

Ela já escreveu dois livros a respeito de como aprimorar a si mesmo utilizando as ferramentas de um artista: The Creative Habit [O hábito da criatividade], de 2003, e The Collaborative Habit [O hábito da colaboração], de 2009. Keep it moving, uma sequência das obras anteriores, aplica essas ferramentas para se encontrar um propósito de vida em qualquer idade.

Acima de tudo, Twyla é uma motivadora. O texto de seu livro não é ilustrado com fotos, mas com descrições de exercícios simples: cada capítulo apresenta um, desde Contorcendo-se, uma sinuosa sequência de movimentos que ela recomenda para serem feitos na cama, até “Assumindo o espaço”, que se trata de uma ação tanto física quanto mental. Ela conecta os leitores com a maneira intuitiva de uma dançarina de se mover de maneira mais grandiosa, com amplitude.

“Quando você caminhar, pense em si mesmo como se estivesse dando passos largos, não  passos mirrados”, escreve ela. O cérebro é uma coisa; o corpo é mais veloz. “Todos pensamos que a mente é mais inteligente, mas me perdoe!”, disse ela. Os reflexos do corpo, continuou ela, são “muito mais rápidos do que o cérebro é capaz de processar e responder com um conceito”.

Sobre um colchonete, ela mostrou sua sequência de exercícios, parte dela montada em uma bola suíça, que ela adora - “especialmente quando é a primeira coisa que você faz de manhã, se você não está muito a fim de se exercitar”, afirmou ela, “porque não dá para resistir à vontade de quicar junto com a bola, e quicar é bom para os joelhos e as coxas”.

A sequência de exercícios de Twyla envolve exercícios isométricos, abdominais (300), abdominais oblíquos (100 de cada lado) e pelo menos 20 minutos de bicicleta ergométrica. “Temos que medir a temperatura em todas as partes do corpo”, afirmou ela. “E percebemos quanto espaço isso exige: não muito.”

Tudo que é necessário, acrescentou ela, é “um pouco de espaço e uma roupa confortável.” Em outras palavras, você pode fazer isso na sua casa, da sua própria maneira, em seu próprio nível: comece com 30 abdominais. No livro, a filosofia dela é guiada para as necessidades do corpo e sua habilidade de se movimentar.

Ela deve saber do que está falando. Além de ter dançado durante a maior parte da vida, ela se dedicou à sua própria prática de exercícios, que se inicia com uma caminhada e tem duração de 45 a 90 minutos por dia. Nas últimas semanas, estava mais próxima de 45 minutos; ela estava com uma carga pesada de ensaios enquanto realizava seu último trabalho, uma obra de beleza etérea para a companhia American Ballet Theater chamada A Gathering of Ghosts, foi revelada durante a temporada de outono da companhia.

Ela ensinou aos dançarinos toda a coreografia (quantas mulheres de 78 anos são capazes de demonstrar passos de dança?). “Eu certamente não estou me autopromovendo como o exemplo máximo desse movimento”, afirmou ela. “Mas ainda tenho meus passos e, nos ensaios, prefiro caminhar com meus próprios pés.”

E esses pés são o motivo para ela se se manter em uma dieta diária de 1,2 mil calorias. “É uma certa loucura”, afirmou ela. “Mas isso ajuda a me manter magra, o que é importante, porque quanto menos peso eu coloco sobre os pés, melhor para o meu corpo.” Twyla sempre pensou no que ela faz como algo parcialmente científico: uma exploração das capacidades do corpo. Ela levou cerca de três anos - ou talvez quatro - para se reconciliar consigo mesma e escrever um livro a respeito de ser mais velha.

E, com Keep it Moving, Twyla tem uma missão clara. “Realmente tentei escrever para pessoas que não têm nenhuma familiaridade com o próprio corpo”, afirmou ela. “Todos temos nossos fantasmas”, acrescentou ela. “Você pode mantê-los na sua frente ou dizer: ‘Muito obrigada - estou seguindo adiante. Isso é uma encenação’, sem desaparecer dentro deles.” / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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