The New York Times / Via Bolt
The New York Times / Via Bolt

Uber encontra forte concorrente na Europa e na África: o app 'Bolt'

Em cada mercado que a Uber procura, novos adversários continuam surgindo. Na Índia, a empresa enfrenta a Ola. No Brasil, o duelo é com a chinesa Didi Chuxing (99)

Adam Satariano, The New York Times

07 de maio de 2019 | 06h00

TALLINN, ESTÔNIA - A Uber costumava dominar o segmento dos motoristas particulares na Polônia e no Quênia. Nos dois anos mais recentes, isso começou a mudar. Com sede na Estônia, a Bolt, fundada seis anos atrás por Markus Villig, um jovem de 19 anos que desistiu da faculdade, se tornou a mais formidável desafiante da Uber na Europa e na África.

Na Polônia, a Bolt conquistou fregueses com tarifas mais baixas e atraiu motoristas com a cobrança de comissões mais baixas. No Quênia, a empresa estimulou seus negócios oferecendo transporte de motocicleta e permitindo que os passageiros pagassem usando uma popular operadora de pagamentos por celular. Em ambos os países, a Uber respondeu gastando mais em novos incentivos. “O setor dos transportes é um espaço completamente diferente", afirmou Villig, hoje com 25 anos. “Teremos campeões regionais”.

Em cada mercado que a Uber procura, novos adversários continuam surgindo. Na Índia, a Uber enfrenta a Ola. No Brasil, o duelo é com a chinesa Didi Chuxing (99). Novas empresas de transportes também surgiram, como as responsáveis pelos patinetes elétricos. A Bolt planeja agora enfrentar a Uber em Londres, uma de suas cidades mais lucrativas.

A batalha em diversas frentes significa que a Uber, que já gasta bilhões de dólares para concorrer em 700 cidades de todo o mundo, não pode se dar o luxo de relaxar e reduzir custos. A empresa perdeu cerca de US$ 1,8 bilhão e gastou aproximadamente US$ 14,3 bilhões no ano passado. Apesar de seguir avançando, esperava-se que a empresa alcançasse valor de aproximadamente US$ 90 bilhões após sua oferta pública inicial na sexta-feira.

“O problema enfrentado pela Uber ou por qualquer outra líder de um setor como esse é que os obstáculos para a entrada no mercado são ínfimos",  sublinhou o professor Bob Hancké, da London School of Economics. Ele indagou se os recém-chegados poderiam “superar a Uber no recrutamento e ainda oferecer um preço mais baixo? Essa é a grande dúvida".

Em 2013, Villig fundou a Bolt, batizada inicialmente de Taxify.  A empresa se concentrou em mercados no Leste Europeu, nos Países Bálticos e na África, onde Villig observou que a Uber não estava investindo grandes esforços. Atualmente, a empresa opera em mais de 100 cidades e 30 países, com cerca de metade dos seus negócios vindo da África. Mais de 25 milhões de passageiros usaram a Bolt para chamar um motorista.

Para cada US$ 10 ganhos em corridas, a Bolt perde aproximadamente US$ 1 por causa do custo da expansão para novos mercados e da oferta de incentivos aos motoristas e passageiros, calculou Villig. Mas ele acrescentou que isso é menos do que perdem Uber e Lyft.

A Bolt gasta com a equipe de engenheiros trabalhando em seus escritórios na Estônia ou na Romênia aproximadamente metade do que gastaria na Califórnia. A empresa também poupa ao deixar de lado o departamento de pesquisas (Villig disse não ter interesse em veículos autônomos).

Ainda assim, a Bolt enfrenta desafios. A Uber acabou com muitos concorrentes e a Bolt se vê diante dos mesmos problemas trabalhistas e regulatórios que a Uber teve de enfrentar.  Mas Villig disse que, mesmo se a Bolt desaparecesse, novas rivais surgiriam. A Uber “não vai se tornar ainda mais dominante", pontuou Villig. “Não há no mundo uma geografia onde eles possam instalar um monopólio". / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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