Kristoffer Paulsen para o The New York Times
Kristoffer Paulsen para o The New York Times

No novo mundo dos uísques, Austrália se esforça para se destacar

Enquanto os destiladores de todo o mundo imitam o escocês, os australianos estão inovando para criar algo distinto

Clay Risen, The New York Times

27 de fevereiro de 2020 | 06h00

O mundo do uísque está ficando mais parecido com o mundo do vinho? Hoje em dia, não só nos Estados Unidos cada estado tem sua destilaria, mas também isto vem ocorrendo em países muito distantes do Kentucky e da Escócia, como a França, Alemanha, Índia, Japão e até Taiwan e Austrália, que contam agora com robustas destilarias.

Então, isto significa que podemos falar sobre uísque em termos regionais, como é o caso do vinho? Sim e não. Muitos desses uísques são clones, produzidos com cevada maltada em alambiques tipo. Apenas porque há uísque fabricado em Taiwan não significa que haja um tipo chamado “uísque taiwanês”. As pessoas em Kavalan estão corretamente orgulhosas de produzir um uísque que é indistinguível de um single malt da Speyside.

Mas em outros locais, estilos regionais estão realmente surgindo. Destilarias na França se baseiam nas tradições locais associadas ao conhaque e as “eaux de vie” para produzirem o que é certamente um estilo distinto de uísque francês. Processos similares vêm ocorrendo na Alemanha e na Áustria.

Mas em nenhum lugar esse movimento para desenvolver um uísque local é mais aparente do que na Austrália. Abrigando mais de 40 destilarias de uísque, o país é amplamente desconhecido como produtor da bebida. A maior parte da sua produção é consumida internamente.

Embora os australianos venham fabricando uísque desde meados do século 19, a indústria moderna teve início somente no início da década de 1990, quando Bill Lark, inspirado pelo single malt, fez lobby, e teve sucesso, contra uma lei que proibia as microdestilarias. Em poucos anos a Lark Distillery, e várias outras, especialmente na Tasmânia, estavam fabricando uísque. Os fãs da bebida adoraram, em parte porque os fabricantes australianos copiavam minuciosamente seus primos escoceses.

Mas com o tempo certas características começaram a diferenciar a bebida, como o uso do malte de cerveja em vez do malte de destilação e o envelhecimento da bebida em barris menores, disse Lark. “Estamos recebendo maltes ricos, oleosos, que são diferentes dos usados no Scotch típico”.

Em 2014, um single malt da Sullivans Cove, em Hobart, Tasmânia, conquistou o prêmio máximo na World Whiskies Awards, uma competição que sempre foi dominada pela Scotch. O prêmio fez com que o uísque australiano passasse a ser reconhecido pelo consumidor global, desencadeando um renascimento da destilação da bebida no país.

“O que já existia, como o Bourbon e o Scotch, não nos atraía”, disse David Vitale, fundador da Starward Distillery em Melbourne “Queríamos criar um uísque progressivo, moderno”. As regras de destilação australianas são mais flexíveis do que as estabelecidas na Escócia ou nos Estados Unidos. O que dá às destilarias da Austrália mais liberdade para misturarem e combinarem com outros estilos.

O Nova, produzido pela Starward, é envelhecido em barris de vinho tinto, o que produz um uísque mais frutado e tânico, com menos notas de baunilha e caramelo, dos os barris de Bourbon com frequência usados para envelhecer o Scotch. Joshua Wortman, executivo da Distill Ventures, braço de capital de risco da gigante de bebidas Diageo, disse “Eles não estão tentando produzir Scotch na Austrália, mas fabricando um uísque que tem a ver com o lugar”. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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