Atul Loke para The New York Times
Atul Loke para The New York Times

Um aeroporto em meio a galerias de arte – e vice-versa

Mais de 5.500 obras de arte estão em exposição no Jaya He, GVK New Museum, que faz parte do Terminal 2 do aeroporto internacional de Mumbai

Vindu Goel, The New York Times

04 de abril de 2019 | 06h00

MUMBAI, ÍNDIA - As pessoas poderiam facilmente passar pelo maior museu de arte da Índia sem notar. Espalhadas por todo o Terminal 2 do aeroporto internacional de Mumbai há mais de 5.500 obras de arte indianas no Jaya He, GVK New Museum.

O terminal ultramoderno administra todos os voos internacionais e muitos voos nacionais do centro comercial do país, e os 50 milhões de pessoas que passam por ele a cada ano estão aqui fundamentalmente por um único objetivo: chegar e embarcar em seus aviões.

Por esta razão, as peças de arte foram instaladas nos corredores, nas esteiras das bagagens e nos balcões de check-in para não interromper o movimento dos passageiros e dos cerca de 30 mil funcionários  do Chhatrapati Shivaji Maharaj International Airport.

A maior instalação é "India Greets" (Bem-vindos à Índia), que tem 18 metros de altura e abraça o centro do terminal. Ela começa com mensagens de toda a Índia montadas na parede, depois prossegue para uma série de retratos enquanto os passageiros se dirigem para seus respectivos portões. A cada hora, um pavão branco em tamanho natural desliza por um fio na sua frente.

Recentemente, entre os que estavam parados olhando havia três turistas britânicos. "É a obra de arte mais linda que já vi em um aeroporto", disse Judith Wolfram, que morou na Índia quando jovem e regressava para ver a filha e o namorado da jovem.

Sanjay Reddy, vice-presidente da GVK, conglomerado que construiu o terminal há cinco anos, disse que tinha consciência de que seria um desafio criar um museu de arte em um lugar em que as pessoas estão sempre em trânsito. Mas ele queria apresentar a herança artística do país aos indianos. "Mesmo que conseguíssemos chamar a atenção de uma em cem pessoas, alcançaríamos o nosso objetivo", afirmou.

"É uma mescla empolgante e um misto de arte contemporânea, antiga, arte tribal, folclore, artesanato", disse Mukeeta Jhaveri, que mora em Mumbai e assessora colecionadores nas compras de obras de arte. "Mesmo assim, quando percorro rapidamente os corredores, tenho a maravilhosa sensação de fazer uma descoberta e de reencontrar amigos queridos".

O museu procurou mesclar artesanato indiano à arte contemporânea autêntica. Mais de 75 mulheres das favelas ao redor do aeroporto produziram a gigantesca colcha colorida Godhadi, explicou Reddy.

"Fortaleza de barro", homenagem de Rajeev Sethi à Índia rural, é composta por figuras feitas de barro e esterco de vaca. Os funcionários do aeroporto renovam periodicamente a mistura de fezes para que as figura pareçam frescas.

Mas os diretores do museu afirmam que a peça mais popular é "Moving Constant", um retrato dourado de deuses e deusas indianas criado por N. Ramachandran e V. Anamika e inspirado no estilo de pintura Tanjore.

Embora a montagem do museu tenha exigido um enorme esforço, Não parece ter havido tanto empenho para divulgá-lo. Ao passar pela segurança, os viajantes têm poucas indicações da exposição de arte no terminal. "Gostaria que a direção do aeroporto encontrasse um modo de atrair mais quem está em trânsito", disse Jhaveri. "Dói o coração ver as pessoas correndo sem dar uma paradinha". / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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