(Nicole Bengiveno/The New York Times)
(Nicole Bengiveno/The New York Times)

Um caminho nada convencional para os maiores palcos do golfe

Finau é o primeiro golfista do PGA tour cujos antepassados são de Samoa e Tonga

Karen Crouse, The New York Times

25 Julho 2018 | 10h15

LEHI, Utah - Poucos golfistas se recuperaram como Tony Finau conseguiu, depois de sofrer um entorse no tornozelo às vésperas da sua estreia no torneio de Masters, este ano. Mas Finau não é um dos membros típicos do PGA Tour. Os primeiros tacos com os quais ele jogou tinham uma faca em uma extremidade, saíam chamas deles, e os seus erros deixaram cicatrizes em seus braços.

O acidente no Masters ocorreu durante o jogo de par-3. Depois de concluir um buraco em uma tacada, ele correu para comemorar, caiu de mau jeito e deslocou a perna esquerda. Ele empurrou o osso de volta, andou pelo terreno montanhoso do Augusta National por quatro dias com a junta inchada, e acabou empatado na 10ª posição.

Menos de dois meses mais tarde, Finau estava em cima de um pula-pula na sua casa nos arredores de Salt Lake City, Utah. Fazer jogos de exposição provavelmente não era o que os treinadores queriam. 

Mas era o que os seus quatro filhos pediam, e no mundo de Finau, a família manda.(A propósito, no Open dos EUA do mês passado, ele acabou em 5º.)

Não, ele não é um membro típico do nosso PGA Tour, e não só porque a sua primeira atividade esportiva era a dança das facas de fogo, um ritual de Samoa. Ou porque aprendeu a jogar golfe mirando os alvos sobre colchões pendurados do teto da garagem da família.

Finau é o primeiro jogador em tempo integral do tour cujos antepassados são de Samoa e Tonga. Ele e seu irmão mais jovem Gipper, que joga na categoria juvenil, aprenderam com o pai, Gary Finau, que era um carregador de bagagens da Delta Air Lines, e nunca teve contato com o esporte. “Eu pensava: ‘Quem em seu juízo perfeito iria bater em uma bola de golfe?’”, disse Gary, que rapidamente adotou o esporte como um exercício de aproximação entre pai e filhos.

Gipper começou a jogar golfe primeiro, e derrotava jogadores com três ou quatro anos mais do que ele quando Tiger Woods ganhou o Masters de 1997, na primeira vez em que um homem de cor vestiu o colete verde do campeão. Tony, que tinha 7 anos na época, viu o seu futuro naquele dia. “Aí estava um sujeito jogando golfe que tinha a mesma cor da minha pele”, ele disse. “Eu era criança, e me identifiquei com aquilo”.

O jogador típico do PGA Tour não se torna profissional antes de concluir o segundo grau. Mas Finau conseguiu, aos 17 anos, juntamente com Gipper, que tinha 11 meses menos que ele.

No seu primeiro evento, Tony e Gipper competiram por um prêmio de 2 milhões de dólares no Ultimate Game de Las Vegas, com Tony avançando para a final 12. Ele ganhou o suficiente para devolver o dinheiro aos seus patrocinadores, que haviam pago adiantado a sua taxa de ingresso de 50 mil dólares, e tinha cerca de 50 mil dólares para preparar a sua carreira. E precisou de cada centavo deles; entre 2007 e 2014, Finau ganhou um cheque de 7.960 dólares do PAG Tour. Sua vida pessoal avançou mais depressa depois do baile de Reveillon de 2010, quando conheceu Alayna Galeai, jogadora de vôlei da Universidade Notre Dame de Namur da Califórnia.

Alayna, que estava em Utah visitando parentes, ficou surpresa ao descobrir o que Finau fazia para ganhar a vida. “Pensei, os polinésios jogam golfe?’”.

Finau logo avisou Alayna que pretendia casar e ter de 8 a 12 filhos. Ela não ficou apavorada. Em novembro de 2011, o casal abraçou o primeiro filho, Jraice. Casaram em maio de 2012, cinco meses antes do nascimento da filha, Leilene. (Desde então, tiveram mais dois filhos, Tony Jr., de 3 anos, e Sage, de 2.)

A mãe de Finau nunca pôde pegar os netos no colo. No dia antes de Jraice vir ao mundo, Ravena Finau morreu em um acidente de automóvel. Tinha 47 anos. Entre a sua morte e o começo de sua nova vida de pai e marido, Tony ficou emocionalmente devastado. Aos 22 anos, teve uma úlcera hemorrágica. “Foi extremamente difícil”, contou.

Tony e Alayna viveram com o pai dele por um tempo e, depois, com os dois primeiros filhos, foram morar em um apartamento de sala e quarto. Mas a experiência os aproximou ainda mais, e ele teve mais sucesso no golfe, contou.

“Ter uma família e cuidar dos meus filhos e das pessoas ao meu redor foi talvez o que mais me motivou para dar aquele extra a mais”, afirmou.

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