Brad Torchia para The New York Times
Brad Torchia para The New York Times

Um desafio final para 'Vingadores'

Neste e no próximo filme, os irmãos Russo têm a difícil missão de incorporar dezenas de importantes personagens enquanto conduzem a franquia para uma conclusão satisfatória

Dave Itzkoff, The New York Times

03 Maio 2018 | 10h00

BURBANK, CALIFÓRNIA – Tudo tem um fim, mesmo que, neste momento, Joe e Anthony Russo possam não sentir desta maneira. Mais de um ano depois do início da produção de “Vingadores: Guerra Infinita”, em uma noite de março, estes irmãos diretores estavam exaustos nos estúdios da Walt Disney, dando os toques finais no último sucesso arrasador dos seus super-heróis.

As tarefas que os aguardavam eram, em geral, rotineiras e nada glamourosas: regravar diálogos com Elizabeth Olsen, que faz o papel de Scarlet Witch; tirar as últimas fotos dela em um novo trailer do filme, que cria uma batalha real na qual cada um dos campeões, em seus costumes característicos no universo da Marvel, devem defendê-la de um titan genocida chamado Thanos.

Terminadas estas obrigações, resta uma incumbência para os irmãos Russo concluirem: baixar, finalmente, a cortina com sucesso da franquia mais lucrativa da história de Hollywood.

Os 18 filmes que antecederam “Guerra Infinita”, que está sendo lançado em todo o mundo, foram uma façanha arriscada pela qual eles optaram: uma narrativa de infinitas horas, em que cada capítulo se encadeava com o seguinte – às vezes de maneira elegante, às vezes de forma um tanto desajeitada – considerando que os acontecimentos nos episódios anteriores tinham consequências duradouras nos que se seguiriam.

Agora, a Marvel tenta algo igualmente sem precedentes e possivelmente mais arriscado. Em “Guerra Infinita” e no próximo “Vingadores” que estreará em maio de 2019, os irmãos Russo terão de incorporar, sem solução de continuidade, dezenas de importantes personagens, conduzindo ao mesmo tempo a franquia a uma conclusão satisfatória.

“Temos plena consciência de que estamos encerrando os primeiros dez anos”, disse Joe Russo naquela noite. “É por isso que nos esforçamos”.

Este não era o resultado que a indústria do entretenimento antecipara quando o estúdio da Marvel lançou a sua campanha em 2008 com “O Homem de Ferro” (considerado um personagem de segunda categoria na época, mas um dos poucos cujos direitos ela controlou).

O sucesso absoluto daquele filme lançou as bases para uma quantidade de filmes da Marvel, como “Capitão América”, “Thor” e “Guardiães da Galáxia”. Estas películas deram nova vida a carreiras de atores que permaneceram, como Robert Downey Jr. (no papel do industrial bilionário Tony Stark, aliás o Homem de Ferro), e melhorou o perfil de outros relativamente desconhecidos, como Chris Evans (o supersoldado Steve Rogers, o Capitão América).

O estúdio insuflou nova vida no seu domínio de quadrinhos de décadas atrás, e criou um exército de fãs vorazes para cada novo personagem que ela introduz no multiplex. (É o que mostra a bilheteria global de US$ 1,3 bilhão do seu último sucesso, “Pantera Negra”, que estreou em fevereiro.)

Agora, a Marvel quer limpar a mesa sobre a qual se debruçou dez anos a fio preparando e abrindo caminho para algo novo.

“Contar uma grande história exige um grande final”, afirmou Kevin Feige, o presidente da Marvel Studios. “Quando você se dedica a isto, muda a sua maneira de pensar”.

O público agora descobrirá finalmente como é uma máquina de fazer dinheiro no cinema: a história  chegará realmente a uma conclusão? Os personagens irão morrer?

Quaisquer que sejam as respostas, elas foram dadas com a ajuda dos irmãos Russo, dois dos mais coerentes e diligentes realizadores da Marvel.

Quando terminarem os filmes da série “Vingadores”, que rodaram sem parar em 18 meses, os Russo concluirão o arco improvável de sua carreira, da realização de excêntricos filmes independentes a gigantes da comédia de TV e à realização da provavelmente maior franquia da história do cinema.

Os irmãos – Anthony, 48, aquele que pensa, e Joe, 46, o pragmático – têm energias contrastantes, mas complementares. Como Downey os descreveu, Anthony é “um pouco mais reflexivo, um cara yin, e Joe é o yang intenso desta parceria”.

Quando estão juntos, disse Downey: “É como se os dois constituíssem uma terceira entidade que é melhor do que qualquer outra pessoa poderia ser”.

Os Russo não revelam grande coisa a respeito de como, exatamente, a série “Vingadores” chegará ao fim desta fase da saga cinematográfica da Marvel. (Eles sequer revelam o título do filme que seguirá “Guerra Infinita”.)

Joe Russo disse: “O que vocês verão no fim dos filmes é: quanto custa ser um herói em um mundo em que não há respostas fáceis? Acho que é o mundo em que vivemos”.

Os  irmãos Russo estão preparando suas vidas para depois de “Vingadores”. Eles criaram sua própria produtora, a Agbo Films, que já garantiu financiamentos chineses por US$ 250 milhões.

Os irmãos se expressam de forma sintética quanto à possibilidade de encontrarem outros filmes da Marvel em seu futuro. “Nós quisemos maximizar nossas opções como contadores de histórias e artistas”, disse Anthony. “Estruturamos nossos negócios de maneira a dar uma base a isto. Pode ser e pode não ser. Mantemos todas as nossas opções em aberto”.

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