Andrew Testa para The New York Times
Andrew Testa para The New York Times

Um dos emblemas britânicos, cabines telefônicas ensaiam retorno

Os ícones vermelhos estão sendo reformados e readequados, transformando-se em minúsculos cafés, lojas de conserto de celulares ou mesmo ponto com desfibriladores

Palko Karasz, The New York Times

13 Junho 2018 | 15h00

LONDRES - Às vezes, é difícil desfazer-se de alguma coisa. Para muitos britânicos, isto tanto se aplica a instituições e objetos que representam o antigo poderio e glória do seu país - os palácios monumentais, a monarquia - quanto as cabines telefônicas vermelhas.

Derrotadas de início pelo avanço da tecnologia e, mais tarde, pelos elementos nos pátios dos depósitos, os ícones ingleses agora preparam o seu retorno. Readequadas de maneiras criativas, muitas reapareceram pelas ruas e jardins das cidades, como minúsculos cafés, lojas de conserto de celulares ou mesmo dotadas de desfibriladores.

As cabines originais de ferro batido com os tetos abobadados, chamadas Kiosk Number 2 ou K2, apareceram em 1926. O autor do projeto foi Giles Gilbert Scott, o arquiteto da Usina Termelétrica de Battersea de Londres e da Catedral de Liverpool.

Depois de se tornarem uma utilidade indispensável em muitas ruas britânicas, começaram a desaparecer na década de 80, com a privatização da British Telecom e a ascensão do celular. A empresa de Tony Inglis recebeu a incumbência de retirar as cabines das ruas e leiloá-las. Mas ele acabou comprando centenas delas, com a ideia de recuperá-las e vendê-las.

“Elas perderam a luta contra o tempo”, disse Inglis. “São tudo o que não utilizaríamos hoje. São grandes e pesadas”. Mas ele ouviu os apelos para a preservação dos quiosques e viu que alguns deles eram considerados construções históricas. Então, se convenceu de que poderia ganhar dinheiro restaurando-as.

“Nós somos obcecados pelas coisas antigas, porque nossa experiência com o mundo moderno foi dolorosa”, disse Dan Snow, historiador e apresentador. “Se olharmos as coisas ao nosso redor pelas quais as pessoas sentem uma profunda nostalgia, perceberemos que são aquelas que lembram aos mais velhos o nosso passado imperial e hegemônico”.

Quando Inglis e, posteriormente, outros empreendedores se puseram a trabalhar, as cabines reformadas começaram a reaparecer e as pessoas encontraram novos usos para elas. E, mais uma vez, elas voltavam a fazer parte da paisagem urbana.

Nas áreas rurais, onde as ambulâncias podem levar tempo para chegar, os quiosques têm o papel de salva-vidas. As organizações locais podem adaptá-las e instalar desfibriladores. “O desfibrilador é uma excelente ideia, porque as cabines costumam estar localizadas em pontos estratégicos”, afirmou Inglis. “Estão lá, em um cantinho da nossa memória e quando precisamos delas, lembramos: há uma no jardim da cidade”.

Outros também consideraram que as cabines representavam novas oportunidades. A LoveFone, uma empresa que defende a reforma dos celulares em lugar de se desfazer deles, abriu uma mini oficina em um quiosque de Londres em 2016. Além de chamar a atenção, as minúsculas lojas têm um aproveitamento econômico, segundo Robert Kerr, um dos fundadores. Ele contou que uma das cabines gerou um faturamento de cerca de US$ 13.500 por mês e o seu aluguel é de apenas US$ 400.

Segundo Inglis, as cabines nos fazem lembrar de uma época em que as coisas eram produzidas para durar e para serem úteis. “Acho que elas são uma coisa honesta”, afirmou. “Gosto do que representam para as pessoas, e eu adoro trazer as coisas de volta”.

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