Mars Bioimaging
Mars Bioimaging

Um instrumento que detecta doenças letais sem cirurgia

Inovação tecnológica promete ajudar a medicina

Emily Baumgaertner, The New York Times

21 Agosto 2018 | 10h15

Os pesquisadores da Nova Zelândia captaram raios-X coloridos do corpo humano em três dimensões, usando uma ferramenta inovadora que poderá ajudar a diagnosticar câncer e doenças do sangue evitando cirurgias invasivas.

O novo scanner se originou de um dispositivo que contribui para a pesquisa das partículas fundamentais do universo e funciona como uma câmera. O instrumento conta partículas subatômicas que colidem com pixels quando o seu obturador eletrônico está aberto. Isto permite que ele gere imagens em alta resolução de tecidos moles, como minúsculos marcadores de doenças.

“Podemos perceber detalhes de vários tecidos, como ossos, gorduras, água e cartilagem, todos funcionando juntos no interior do organismo humano”, disse Anthony Butler, radiologista da Otago University na Nova Zelândia, que criou o scanner com seu pai, Phil Butler, um físico.

“Na realidade é como passar do filme em branco e preto para o colorido”, disse Butler.

Na tomografia computadorizada, TAC, os raios X são dimensionados depois que atravessam o tecido humano. A imagem resultante aparece branca onde o tecido ósseo denso absorveu os raios, e preta onde os tecidos moles não os absorveram.

O novo scanner combina cada comprimento de onda dos fótons dos raios X com materiais específicos, como o cálcio. Então atribui uma cor correspondente aos objetos escaneados. O equipamento traduz em seguida os dados em uma imagem tridimensional.

Os pesquisadores geraram imagens de tornozelos e pulsos, mas pretendem escanear corpos humanos completos.

Nos próximos meses, na Nova Zelândia será realizado um teste clínico com o novo scanner para pacientes das áreas de ortopedia e reumatologia.

A tecnologia poderá contribuir para uma série de avanços no desenvolvimento de medicamentos contra o câncer e no conhecimento das cardiopatias e da saúde dos ossos. Os seus criadores esperam que ele ajude os médicos a planejar tratamentos personalizados com terapias à base de remédios específicos ou cirurgias menos invasivas.

O novo equipamento servirá como “mapa de diagnósticos mais precisos”, segundo o dr. Gary E. Friedlaender, um cirurgião ortopedista da Yale University que trata de câncer nos ossos em locais complexos, como o interior da pélvis.

“Primeiramente, teremos de encontrar a explicação dos sintomas de um paciente, como um tumor, e depois descobrir a melhor maneira de chegar até ele com o menor número de desvios e reveses”, afirmou o dr. Friedlaender. “O que queremos é minimizar os danos aos tecidos normais”.

O dispositivo foi adaptado a partir de um instrumento de detecção de pixels que os físicos usam no Grande Colisor de Hádrons, o túnel subterrâneo com uma circunferência de cerca de 27 quilômetros na Organização Europeia de Pesquisa Nuclear, conhecida como CERN. Originalmente, ele foi projetado para rastrear as partículas que se deslocam pelo tubo acelerador.

“Esta é a beleza de tudo isso: a tecnologia criada inicialmente para o campo da física das altas energias está sendo usada para melhorar a condição da sociedade”, disse Aurélie Pezous, engenheira do CERN.

Mais conteúdo sobre:
medicinaRaio X

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.