Devin Yalkin / The New York Times
Devin Yalkin / The New York Times

Um passeio pelos segredos de uma cripta sagrada

A Antiga Catedral de São Patrício, em Nova York, promove tours para ajudar a pagar a manutenção da igreja e de seu cemitério

Helene Stapinski, The New York Times

24 de julho de 2019 | 06h00

Recentemente, nove pessoas percorriam a gélida cripta embaixo da Antiga Catedral de São Patrício. “É do tamanho de um apartamento comum de Nova York”, mostrou o guia, Brandon Duncan, aos turistas que se encontravam no local espaçoso - onde repousam os restos mortais de um general da Guerra Civil.

Acima, erguiam-se arcos de tijolos arcaicos do arquiteto Guastavino, lâmpadas Edison originais e jazigos para mais oito corpos, cujos tampos de mármore estavam em pé, prontas. “É uma espécie de hotel”, comparou Duncan. O general, Thomas Eckert, deixou heranças diferentes para cada um dos filhos, que acabaram brigando por este motivo e decidiram não passar a eternidade um ao lado do outro.

O arco de Eckert é o ponto final do tour de 90 minutos de duração pela catacumba à luz de velas, graças à abertura de um dos espaços mais secretos de Nova York. A Antiga Catedral de São Patrício  - não a Catedral de São Patrício, a sua mais famosa igreja do mesmo nome, na Quinta Avenida, em Manhattan - criou os tours com a operadora de turismo Thomas Wilkinson para ajudar a pagar a manutenção da igreja e do seu cemitério. “Teremos muito trabalho ainda para deixar o lugar como queremos”, afirmou Monsenhor Donald Sakano, que assumiu a paróquia há dez anos. “Os túmulos continuam se deteriorando enquanto falamos”.

Os guias turísticos carregam lanternas e grandes maços de chaves, destrancando portas e portões para mostrar a história da catedral. Projetores exibem antigas fotografias e outras imagens nas paredes escurecidas das catacumbas. Não há ossadas espalhadas pelo local, como nas antigas catacumbas de Paris e Roma. Os visitantes são conduzidos pelo corredor escassamente iluminado da cripta, de 40 metros de comprimento, com jazigos selados, identificados, de ambos os lados. Aqui estão sepultados cinco sacerdotes, dois bispos e 33 famílias. Os visitantes também são conduzidos para o andar de cima da catedral, onde o diretor Francis Ford Coppola filmou a cena do batismo de “O poderoso chefão”.

Os tours vêm contribuindo para a renda tão necessária da paróquia, informou Frank Alfieri, diretor de projetos de expansão e do cemitério. A catedral opera em seis edifícios e está atolada em problemas como o concerto dos telhados e dos encanamentos. Mas o dinheiro não é o único benefício da visita turística, criada há um ano e meio. “Tornou-se uma fonte de conhecimento da igreja e do que ela tem significado para o bairro nos dois últimos séculos”, explicou. “Por isso, abrimos estes espaços exclusivos que nunca haviam sido abertos ao público antes”.

A catedral arrecada dinheiro também com a venda de espaços para urnas funerárias. Até o momento, foram preenchidos 352 nichos, mas há centenas em construção. Os nichos das catacumbas são vendidos por valores entre US$ 10 mil a US$ 15 mil. Um jazigo para uma família completa, o último deste tipo na catedral, está disponível por US$ 7 milhões. Mas o jazigo pode ser quebrado para sepultar um único caixão a partir de US$ 850 mil. Heather Walker, que fazia parte do grupo de visitantes, disse que fez o tour porque achou o programa muito especial. “Adorei a história da cripta. Ela não é apenas um buraco no chão”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA 

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