Karsten Moran para The New York Times
Karsten Moran para The New York Times

Uma façanha de engenharia e resistência para uma rena de 'Frozen'

Como um acrobata de uma só vez e um estilista de bonecos trouxeram à vida uma rena sem palavras na adaptação da Disney para a Broadway

Michael Paulson, The New York Times

01 Agosto 2018 | 10h00

Sven quase morreu na Broadway

Quando a Disney  decidiu adaptar seu megafilme animado “Frozen: Uma aventura congelante” para o palco, a equipe de criação cogitou seriamente  a possibilidade de eliminar a rena reticente (destino que, entretanto, coube ao monstro predador de gelo Marshmallow e à ameaçadora alcateia de lobos).

“Pensamos em não colocar Sven no show”, disse Thomas Schumacher, da Disney Theatrical Productions, “porque tínhamos medo de que pudesse apenas ocupar espaço no palco e ser uma mera distração”.

Mas a companhia convidou Michael Curry (“O Rei Leão”), o seu colaborador de longa data, especialista em bonecos, para procurar algumas soluções que permitissem levar a criatura peluda em cena.

Ele testou uma pantomima de dois atores antes de optar por uma figura em escala natural que pudesse se inserir sem nenhuma fala no enredo que ia se desenvolvendo - capaz de atuar - vivenciada por um único ator no seu interior.

A rena que resultou no final tornou-se um dos personagens que mais agradaram no show, entusiasticamente aplaudida quando aparece no palco.

A cabeça de Sven foi moldada com um composto de fibra de carbono; seu corpo foi modelado em espuma coberta de seda crua trabalhada, e os seus cascos foram esculpidos em espuma e revestidos de borracha montada sobre alumínio, com pernas ortopédicas de aço inoxidável.

Embaixo, o ator usa uma roupa wicking completa, a cabeça de fibra de carbono é fixada no lugar por uma fina pele de uretano, tem joelheiras e cotoveleiras, luvas de ciclista e um protetor para a boca.

Sven é ligeiramente maior do que o seu tamanho natural, com dois metros e meio de comprimento, e sua estrutura pesa cerca de seis quilogramas. Uma tela escondida no pescoço permite ao ator enxergar.

O papel foi criado por Andrew Pirozzi, um ator que dança desde que tinha 4 anos, e que aprendeu a fazer acrobacias e equilibrismo em uma escola de circo apresentando-se com uma equipe de acrobatas.

 

Sven está no palco por cerca de 40 minutos na peça, e o papel é fisicamente desgastante -  o ator dentro dele fica sempre de quatro, com prolongamentos de pau nas mãos de 28 centímetros e de 12 centímetros de metal nos pés.

A cabeça de Sven gira graças a um mecanismo conectado à cabeça e ao corpo do ator; o peso da cabeça apoia no seu pescoço em uma das extremidades por meio de um suporte. Um cabo liga a mão direita do ator aos olhos de Sven, para o animal piscar; outro, liga sua mão esquerda às orelhas de Sven, que balançam livremente, mas podem girar ou ir para trás para expressar emoções. A boca se movimenta somente quando outro personagem esfrega a sua garganta.

Curry, que estudou anatomia animal, e Pirozzi, que simplesmente adora animais, passaram horas olhando vídeos de renas migratórias no YouTube, tentando compreender como elas se movimentam. “Elas são mesmo desengonçadas, como o nosso cara - não são graciosas”, disse Curry.

Pirozzi observou: “Ser Sven é muito, mas muito difícil, eu sabia disso desde o começo”. Mas, acrescentou: “Adoro representar Sven, porque naquelas duas horas, todas as noites, eu posso amolecer os corações de 1,7 mil pessoas”.

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