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Uma luta pela extinção do canudo plástico

Consumidores não estão apenas buscando maneiras de reduzir o próprio lixo, mas também exigem das empresas algum esforço para proteger o meio ambiente

Matt Wasielewski, The New York Times

01 de dezembro de 2019 | 13h15

Christine Figgener estuda tartarugas marinhas e, em agosto de 2015, ela publicou um vídeo tirando um canudo plástico da narina de uma delas. O clipe se tornou viral — foi assistido por mais de 40 milhões de pessoas no YouTube — e teve início uma cruzada contra o canudo plástico.

“A questão nunca foi apenas o canudo", disse Christine, que estuda para obter seu doutorado em biologia marinha pela Universidade Texas A&M. “O canudo deveria ser um símbolo, uma causa célebre. É um alvo fácil.”

A Starbucks planeja eliminar os canudos de plástico de suas lojas já em 2020, substituindo-os por versões de papel ou plástico biodegradável. Outros materiais, como bambu, feno, macarrão e carne (para os Bloody Marys) estão se tornando comus em bares e restaurantes, de acordo com reportagem do Times.

“Estamos chegando ao ponto em que as pessoas que usam plástico descartável são constrangidas", disse Emma Rose Cohen, uma das fundadoras da FinalStraw, que vende canudos reutilizáveis. “É como o novo tabagismo.”

Mas a questão não é apenas o canudo. Cada vez mais conscientes do impacto humano no clima, os consumidores não estão apenas buscando maneiras de reduzir o próprio lixo, mas também exigem das empresas algum esforço para proteger o meio ambiente.

Outros produtos em processo de serem tirados de circulação incluem os brinquedos usados pelas redes de fast-food para atrair os consumidores infantis. O Burger King prometeu deixar de oferecer brinquedos de plástico com os lanches infantis na Grã-Bretanha, medida que, de acordo com a empresa, reduziria sua pegada anual de plástico em mais de 270.000 quilos. A esperança é eliminar todos os brinquedos de plástico não-biodegradável do mundo até 2025.

Os planos da União Europeia para proibir o plástico descartável já em 2021 estão levando as empresas aéreas a agir - elas produziram cerca de três milhões de toneladas de lixo nas cabines no ano passado.

 

Alaska Airlines, Ryanair e British Airways se comprometeram a reduzir o lixo, e a Air France disse que eliminaria 210 milhões de artigos descartáveis até o fim desse ano.

A exposição “Get Onboard: Reduce.Reuse.Rethink", em cartaz no Museu do Design de Londres até 8 de fevereiro, oferece uma amostra de como deve ser um voo que polui menos. Para ajudar a eliminar os artigos de plástico, a empresa PriestmanGoode criou uma mesinha retrátil feita de grãos de café moído e sua casca, pratos feitos com farelo de trigo, tampas feitas de folha de bananeira e um talher feito de madeira de palmeira.

Mas não será fácil trazer essas inovações ao mercado, disse ao Times a diretora da Iniciativa de Turismo Internacional Sustentável de Harvard, Megan Epler Wood. Não há sistemas nem instalações para a reciclagem desses artigos, e qualquer solução exigiria a cooperação entre as empresas aéreas.

Alguns ativistas não pretendem esperar até que as corporações criem soluções.

O grupo Trash Pirates [Piratas do Lixo] oferece “consultoria para se chegar o descarte zero", como descreveu um dos membros ao explicar o grupo ao Times. Eles trabalham tornando os festivais de música mais sustentáveis.

O grupo foi formado em 2013 como forma de participar gratuitamente dos festivais de música como voluntários encarregados de limpar o lixo e outras tarefas. Tornou-se um pequeno movimento de recicladores e composteiros por causa daquilo que Soph Nielsen descreveu como “crise existential” ao ver “o local dos eventos depois que todos vão embora e se deparar com um mar de lixo".

Um único dia do festival de Coachella, na Califórnia, gerou 91.000 quilos de lixo em 2017, por exemplo. “É um batismo da compostagem", disse ao Times a pirata do lixo Soph.

Em um de seus projetos, o grupo trabalhou com um reciclador para transformar bitucas de cigarro — 200.000 e contando — em pallets de plástico que podem ser usados para fazer bonecos articulados, mochilas e escovas de dente.

“O trabalho não vai terminar tão cedo, tenho até medo de imaginar", disse Caleb Robertson, um dos fundadores do grupo. “Ainda estamos unidos pelo lixo.”/ TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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