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Uma visão renovada de algumas das árvores mais antigas do mundo

Bosque de sequoias gigantes é reaberto, com menos asfalto e mais preocupação com a saúde das árvores

Thomas Fuller, The New York Times

11 Julho 2018 | 10h15

PARQUE NACIONAL DE YOSEMITE, Califórnia - John Muir, o naturalista que se sentia mais à vontade dormindo ao relento sobre uma cama de agulhas de pinheiro na Sierra Nevada, chamava as sequoias de “as árvores mais nobres criadas por Deus”.

Durante três anos, os visitantes do Parque Nacional de Yosemite não puderam chegar perto de alguns dos mais impressionantes exemplares destas imponentes maravilhas. Graças a uma reforma que custou 40 milhões de dólares, em junho foi reaberto ao público o Mariposa Grove, um bosque formado por cerca de 500 sequoias gigantes adultas. O que Muir chamou de “obra-prima da floresta” volta a ser acessível aos amantes da natureza.

A reforma tratou de um problema contra o qual o parque luta há anos. Nos dias mais movimentados do verão, mais de 7 mil automóveis costumam chegar a esse local, a cerca de quatro horas de estrada a nordeste de San Francisco. O congestionamento que os veículos criam desestimula muita gente.

A reforma exigiu a destruição de um trecho de 5 mil metros quadrados de pavimentação perto das árvores onde carros e bondes passavam, substituindo-os por caminhos de terra prensada  misturada a resina. Agora, os visitantes devem tomar um ônibus gratuito em um novo estacionamento a dez minutos de distância. Também foram retirados os bondes que cuspiam fumaça de diesel para levar os visitantes em um tour até o bosque.

“Não estamos querendo tirar a liberdade de ninguém”, afirmou Scott Gediman, um porta-voz do parque. 

“Venha com o seu carro, mas depois estacione. E ande um pouco”.

As gigantescas sequoias são consideradas algumas das árvores mais resistentes do mundo. Calcula-se que um dos exemplares do bosque, o Gigante Pardo, tenha 1.800 anos de idade. Nos últimos dez anos, morreram cerca de 130 milhões de árvores de outras espécies na Califórnia, enfraquecidas em consequência de uma seca que durou cinco anos, afirma a ecologista Sue Beatty que ajudou a dirigir o projeto.

As sequoias gigantes não têm uma raiz central. Ao contrário, elas desenvolvem um sistema de raízes bem rasas, com cerca de um metro de profundidade, que se espalha por até 60 metros ao redor do tronco, disse Sue Beatty. O asfalto e o pisoteio constante dos visitantes tornam estas árvores mais vulneráveis.

As árvores são protegidas por cercas, mas os visitantes podem chegar perto delas na parte superior do bosque. As galerias foram retiradas e os regatos e as várzeas foram restauradas.

Yosemite recebe cerca de cinco milhões de visitantes ao ano. O parque tenta equilibrar sua missão de atrair visitantes com a necessidade de não permitir que eles devastem a área, disse Gediman.

“A ideia anterior: ‘Esta é uma atração, vamos construir um estacionamento perto dela’ - será abandonada”, afirmou.

Yosemite não acabou com os estacionamentos: um novo local para os ônibus que servem o Bosque Mariposa contém 300 carros.

John Muir, cujos artigos contribuíram para chamar a atenção mundial para a beleza de Yosemite e para a importância de sua preservação, provavelmente ficaria desanimado com as multidões de hoje.

“Estas árvores colossais são uma maravilha de beleza, elegância e proporção na natureza”, ele escreveu. “Este é realmente o paraíso dos amantes do mundo vegetal”.

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