James Silverman para The New York Times
James Silverman para The New York Times

Usando drones para a limpeza do fiorde norueguês

O lixo que se acumula nas praias e a morte de animais marinhos fez o governo buscar na tecnologia uma solução para o problema da poluição

Por Richard Martyn-Hemphill e Henrik Pryser Libel, The New York Times

18 Março 2018 | 10h00

OSLO, Noruega - Os fiordes da Noruega há muito servem de inspiração para os artistas do país e atraem fluxos de turistas. No inverno, suas superfícies de gelo ondulam ao lado de montanhas recobertas de neve: uma visão de beleza natural, felizmente intacta.

Mas perdido nas profundezas do fiorde em Oslo, que se estende a partir da capital, há uma coleção de objetos que agradaria a qualquer intrépido arqueólogo ou detetive noir nórdico: quinquilharias vikings afundadas, lingotes de um precioso navio de guerra de Hitler e, possivelmente, algumas vítimas de homicídios. A maior parte do local, no entanto, está cheia de lixo, incluindo carros indesejados. E isso deixou os ambientalistas alarmados.

Agora, a capital decidiu recorrer a novas tecnologias para ajudar a identificar o lixo, para que mergulhadores possam fazer uma limpeza no fundo do mar. Este mês, os membros da diretoria da Autoridade Portuária de Oslo aprovaram um plano pioneiro de remoção de lixo.

“Vamos testar nossos drones”, disse Svein Olav Lunde, diretor técnico da autoridade portuária, explicando como esses navios não tripulados serão usados para ajudar a limpar as “ilhas de lixo” subaquáticas.

Geir Rognlien Elgvin, membro do conselho, diz acreditar que o porto de Oslo será o primeiro no mundo a tentar realizar esse tipo de remoção de lixo.

Oslo voltou-se para a tecnologia drone em parte por causa da morte de um golfinho. Mórbidas imagens da carcaça, tiradas em janeiro em uma praia recoberta de lixo do fiorde de Oslo, repercutiram nas mídias sociais entre os noruegueses, que tendem a ver seu litoral irregular como um modelo de perfeição de beleza natural intocada.

Os fiordes estão permanentemente ligados à identidade da Noruega como o país de uma população navegante. As entradas longas, estreitas e profundas se formam na base das montanhas onde as águas do oceano fluem para os vales formados perto da costa. O fiorde de Oslo tem 100 quilômetros de extensão. Cerca de um terço dos 5 milhões de habitantes da Noruega vivem nas suas margens. Para lidar com o lixo doméstico, uma guerra de licitação de drones aguarda pela tecnologia para mapear os pontos do lixo.

“Há conjuntos inteiros de mobiliário”, disse Christine Spiten, de 27 anos, operadora de drones e empresária de tecnologia, recentemente no rio Lysaker em Oslo. Spiten falou antes de soltar um cabo amarelo brilhante de borracha e Kevlar que ligava um controlador de videogame e tela de toque a um drone subaquático chamado BluEye. Ela apresentou o drone a representantes da autoridade portuária e da indústria de navegação da Noruega em fevereiro. Alguns membros do conselho veem Spiten como a favorita para conquistar o contrato.

Com o plano de coleta de lixo estabelecido, Roger Schjerva, o presidente da autoridade portuária, observou itens ainda mais importantes nos fiordes que continuam a precisar de atenção urgente: as minas. Eles datam da Segunda Guerra Mundial. Existem mais de 1.550 delas no fiorde de Oslo. Das 270 minas já localizadas até agora, cerca de 100 foram detonadas, disse um porta-voz da Marinha Real Norueguesa. Quando detonadas nos fiordes, elas podem afetar navios e peixes. Além disso, as minas estão vazando.

Schjerva afirmou que a equipe vai “priorizar a remoção das minas remanescentes da Segunda Guerra Mundial”.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.