Jeenah Moon para The New York Times
Jeenah Moon para The New York Times

Uso de cannabis combina com atividade física? Estudo diz que sim

Pesquisa realizada nos EUA mostra que o uso da substância antes ou depois de uma sessão de exercícios pode tornar a prática esportiva mais prazerosa

Gretchen Reynolds, The New York Times

21 de junho de 2019 | 06h00

Pessoas que usam cannabis com frequência parecem ser também pessoas que se exercitam com frequência, de acordo com o primeiro estudo em larga escala envolvendo uso legal da maconha e os hábitos de quem se pratica atividade física.

O estudo aponta que muitas das pessoas que usam a maconha nas horas anteriores ou posteriores a uma sessão de exercícios acreditam que a substância torna a prática mais prazerosa, algo que pode motivá-las a dedicar-se mais às atividades do tipo. Um número menor daqueles que treinam e usam maconha sustenta que a combinação melhora seu desempenho físico durante os exercícios.

Há uma série de preconceitos envolvendo o estilo de vida dos usuários de maconha. A imagem mais comumente evocada, inspirada nos personagens de filmes como o Dude de O Grande Lebowski ou as desventuras de Harold Kumar, é a do "chapado relaxadão".

"O estereótipo mais comum é o de alguém que passa horas viajando no sofá, comendo salgadinhos", disse Angela Bryan, professora da Universidade do Colorado, em Boulder, que supervisionou o novo estudo.

Pouco se sabe a respeito dos possíveis efeitos do uso regular da cannabis em comportamentos capazes de afetar a saúde. Graças à cultura pop, tem-se a ideia segundo a qual a cannabis incentivaria as pessoas a manter um estilo de vida sedentário, exagerando na comida. Os pesquisadores não sabiam se isso era verdade, mas buscaram investigar a questão.

Angela e sua equipe desenvolveram um questionário investigando a frequência de uso da cannabis e da prática de exercícios físicos, e se os dois eram combinados, com alguma forma de uso da cannabis no período de uma hora antes dos exercícios até quatro horas depois deles. Perguntava-se também se as pessoas achavam que o uso da maconha tornava os exercícios mais agradáveis, se aumentava ou diminuía sua vontade de malhar, e se havia algum efeito no sentido de encurtar o período de recuperação.

Foram obtidas respostas de mais de 600 homens e mulheres que usam cannabis, e a maioria disse praticar exercícios pelo menos de vez em quando. A expectativa dos pesquisadores é que algumas dessas pessoas relatassem ingerir, fumar ou aplicar a cannabis na pele antes ou depois dos exercícios. Em vez disso, quase 82% dos participantes disseram usar cannabis mais ou menos na hora da prática esportiva.

Comparativamente, esse grupo tendia a ser mais jovem, mais magro e predominantemente masculino em relação aos que não usam a maconha com os exercícios. Eles também praticam atividade física mais frequentemente, além de ingerirem ou aplicarem maiores quantidades de Cannabis.

E cerca de 70% deles disseram que o uso da maconha tornava os exercícios mais prazerosos, enquanto quase 80% disseram acreditar que a substância acelerava a recuperação, e mais da metade deles apontou que a maconha os estimulava a serem mais ativos fisicamente. No entanto, apenas 35% dos participantes afirmaram sentir uma melhora no desempenho.

Essas revelações não devem ser encaradas como uma recomendação para que a maconha seja usada na prática de exercícios, disse a Dra. Bryan. Mas elas indicam que alguns dos preconceitos mais antigos em relação à cannabis e ao estilo de vida de seus usuários podem ser muito ultrapassados.

"Ao iniciar a pesquisa, temíamos que o uso da cannabis fosse prejudicial à atividade física", disse a Angela. "As evidências encontradas não sustentam essa ideia". / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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