Alana Paterson para The New York Times
Alana Paterson para The New York Times

Vancouver tenta frear a febre da habitação

Na cidade, até os proprietários defendem a cobrança de mais impostos

Conor Dougherty, The New York Times

09 Junho 2018 | 10h30

VANCOUVER, COLUMBIA BRITÂNICA - Entre demolições, quarteirões repletos de casas de hóspedes e imponentes edifícios de apartamentos de vários milhões de dólares que são vendidos e revendidos, antes mesmo de ser construídos, não faltam as histórias sobre a febre da habitação da cidade.

Aqui está uma recente: Vancouver é uma cidade tão cara que os políticos querem taxar o seu mercado imobiliário para pôr um freio nisso e muitos proprietários de habitações - que perdem dinheiro quando os preços caem - acham que esta é a melhor ideia de que ouviram falar.

“Eu gostaria de que houvesse uma correção para acalmar o frenesi deste lugar”,  comentou Rob Welsh, mecânico da aviação aposentado. Welsh comprou sua casa em 2000 e se tornou um milionário sem fazer força graças à valorização do imóvel.

Se isto significar que ele perderá US$ 200 mil ou mais, ele disse: “Que assim seja”.

Como muitas outras cidades ao redor do mundo, Vancouver está às voltas com os custos punitivos das moradias que expulsaram levas e mais levas de moradores.

Em parte, isto se deve à atração que a própria Vancouver exerce e não apenas para os canadenses. Entre sua beleza natural, o clima temperado e as políticas liberais do país em relação à imigração, a cidade se tornou um imã para compradores estrangeiros, provenientes principalmente da China.

Muitos lugares tentaram amenizar o problema, com proteções para os inquilinos, subsídios para a habitação e medidas que permitem que as incorporadoras construam prédios mais altos e com maior celeridade. Mas poucos foram tão longe quanto a Columbia Britânica.

No ano passado, em uma eleição provincial, os cidadãos votaram contra o Partido Liberal da CB, de centro-direita, no poder havia 16 anos, e elegeram um governo liderado pelo Novo Partido Democrático da CB, de centro esquerda. Os novos democratas não só procuraram aumentar a oferta de moradias, como propuseram uma série de medidas para limitar a demanda de casas e excluir os compradores estrangeiros.

Os novos democratas elevaram o imposto sobre os compradores estrangeiros da Columbia Britânica a 20% do preço de compra de uma casa, em comparação ao imposto anterior de 15%. Além disso, o partido pretende aumentar a taxação sobre as segundas casas, sobre os domicílios em que o chefe sustenta a família com dinheiro de fora, e sobre casas avaliadas em mais de 3 milhões de dólares canadenses (US$ 2,3 milhões). Vancouver aprovou uma série de medidas locais, inclusive um imposto sobre casas desabitadas.

“Sem dúvida, muitas destas medidas que estamos introduzindo são audaciosas, mas achamos que são cruciais para solucionarmos de fato esta crise”, disse Carole James, ministra das Finanças da Columbia Britânica.

Pareceria uma escolha perigosa do ponto de vista político. Dois terços dos canadenses são donos de suas casas, e esperam ganhar dinheiro com o investimento. Entretanto, várias pesquisas de opinião sugerem que mesmo os proprietários querem que o mercado se acalme.

Vancouver nunca foi uma cidade particularmente barata. Mas as habitações e os prédios de apartamentos subiram perto de 16% no ano passado, e cerca de 60% nos últimos três, segundo o Real Estate Board da Grande Vancouver.

O que torna estes ganhos tão impressionantes é o fato de que em Vancouver os salários são relativamente baixos.

“Temos muitos empregos, mas uma pessoa precisa ter dois ou três para conseguir um lugar para morar”, disse Andy Van, diretor do City Program da Universidade Simon Fraser.

Alguns dos proprietários mais ricos estão furiosos. Cartazes vermelhos no West Side, a parte mais rica de Vancouver, protestavam contra o imposto sobre as casas avaliadas em US$ 3 milhões. “Você ainda está zangado?” perguntava um deles. “Proteste contra a roubalheira do imposto do NPD agora”.

Mas Nathalie Baker, advogada, proprietária de uma casa na cidade, é favorável às medidas. “As pessoas que vivem e trabalham em Vancouver não têm condições de viver aqui”, afirmou.

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