Caitlin O'Hara para The New York Times
Caitlin O'Hara para The New York Times

Veículos autônomos são alvo de ataques nos EUA

Episódios de violência são resultado de temores que vão da sensação de insegurança à possível eliminação de postos de trabalhos

Simon Romero, The New York Times

25 de janeiro de 2019 | 06h00

CHANDLER, ARIZONA - O agressor saiu de um parque certo dia em outubro, avançando contra o alvo, parado num cruzamento: uma van autônoma operada pela Waymo, a empresa de veículos sem motorista que nasceu do Google. Ele furou um dos pneus e desapareceu nas ruas do bairro.

O episódio fez parte de mais de duas dúzias de ataques contra veículos sem motorista cometidos nos últimos dois anos em Chandler, uma cidade próxima de Phoenix onde a Waymo começou a testar suas vans em 2017. A cidade teve a oportunidade de conhecer antes das demais as reservas do público em relação à ascensão da inteligência artificial, com queixas a respeito de aspectos que vão da segurança até a possível perda de postos de trabalho.

Algumas pessoas arremessaram pedras contra as vans da Waymo. Outras tentaram tirar os veículos da pista. Num dos episódios mais assustadores, um homem apontou um revolver calibre .22 para uma van da Waymo e para o motorista de emergência que estava no veículo. À polícia, o homem disse "desprezar" os veículos autônomos, referindo-se à morte de uma pedestre em março na cidade de Tempe, depois de ser atingida por um carro autônomo da Uber.

"Eles podem fazer seus testes em outro lugar", disse Erik O'Polka, 37, liberado pela polícia em novembro com uma advertência depois de usar seu jipe para tentar tirar da pista vans da Waymo. Ele disse que os problemas começaram quando seu filho de 10 anos quase foi atropelado por um desses veículos enquanto brincava fora de casa.

"Eles dizem que precisam de exemplos do mundo real, mas não quero ser a vítima dos erros deles no mundo real", disse O'Polka.

Pelo menos 21 ataques foram cometidos contra vans da Waymo em Chandler. Analistas dizem esperar mais episódios de violência em meio a um debate mais amplo a respeito do potencial dos veículos sem motorista e as mudanças colossais que eles podem iniciar. O debate envolve medos que vão desde a eliminação de postos de trabalho para motoristas até a delegação do nosso controle em relação à mobilidade. 

"As reações violentas das pessoas são justificáveis", disse Douglas Rushkoff, autor do livro Throwing Rocks at the Google Bus (Apedrejando o Google Bus)."Tem-se cada vez mais a sensação de que as gigantescas corporações aprimorando as tecnologias de pilotagem autônoma não estão pensando no bem coletivo. Basta pensar nos humanos dentro de tais veículos, que estão essencialmente treinando a inteligência artificial que vai substituí-los".

O oficial William Johnson, da polícia de Chandler, descreveu um episódio em que o motorista de um Chrysler PT Cruiser costurou entre as pistas em meio ao tráfego enquanto provocava uma van da Waymo. De acordo com o relatório dele, um gerente da Waymo afirmou que a empresa não quis prestar queixa, enfatizando que a preocupação da Waymo dizia respeito à interferência com seus testes.

Uma porta-voz da Waymo disse que os ataques envolveram uma pequena fração dos mais de 40 mil quilômetros que as vans percorrem todos os dias no Arizona. As autoridades do Arizona permanecem abertas às empresas de carros autônomos.

"Não podemos deixar que criminosos individuais arremessando pedras e furando pneus interfiram com os esforços para trazer o futuro do transporte", disse no Twitter Rob Antoniak, da Valley Metro, que ajuda a supervisionar o sistema de transporte público de Phoenix.

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