Oka Hamied/Agence France-Presse — Getty Images
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Robb Todd, The New York Times

12 de março de 2020 | 06h00

Para os budistas, a morte “representa renovação, regeneração e continuidade”, afirma o monge Geshe Dadul Namgyal. Aceitar o fim da vida traz paz à mente. E chegar perto da morte quando você está inconsciente dela parece ter seu lado bom. Do mesmo modo quando acredita que está quase morto.

John Martin Fischer, professor de filosofia, escreveu em um artigo no The New York Times que experiências de quase-morte transformaram vidas. Muitos dos que retornam se tornam pessoas mais espiritualizadas e menos inquietos com sua inevitável passagem para o destino da sua escolha. Nas experiências de quase-morte, escreveu ele, “um cristão verá figuras cristãs, um budista verá figuras budistas.

Deuses e deusas hindus aparecerão no caso de um hindu e assim por diante. Essas viagens inconscientes quase sempre acabam pouco antes da travessia da vida para a morte e para alguns físicos e neurocientistas essas experiências provam que existe uma vida após a morte. O professor Fischer discorda.

A mente se separar do corpo para contatar um universo celestial não é uma condição médica, disse ele. “Os médicos não têm nenhum poder especial neste caso. Afinal são físicos e não metafísicos”. Mas ele não questiona os benefícios potenciais dessas experiências. “Elas nos apontam para alguma coisa profunda e bela na morte. E nos dão uma real esperança, não uma falsa expectativa, diante da próxima parte da nossa jornada, não importa o que ela nos trará”.

Mesmo algumas experiências não tão perto da morte podem levar uma pessoa a um entendimento similar. Grande parte do valor e objetivos da nossa vida é porque nosso desaparecimento é algo certo, disse o monge budista tibetano Geshe Dadul Namgyal ao The New York Times.

“A morte representa também a renovação, regeneração e a continuidade”, afirmou ele “e contemplá-la de maneira adequada nos infunde qualidades transformadoras, como compreensão, aceitação, tolerância, esperança, responsabilidade e generosidade. Não aceitar que a morte é inseparável da vida, disse ele, desconecta as pessoas da realidade. “No final vamos deparar com a morte como se nunca tivéssemos vivido, sem nenhum indício do que é a vida e como lidar com ela”.

Sonny Rollins tem opinião similar à do monge, mas seguiu um caminho diferente para chegar ao mesmo lugar. David Marchese, do The Times, que considera Rollins o maior improvisador de jazz do mundo, perguntou a ele como o artista de 89 anos de idade enfrentou a perda da sua capacidade de tocar saxofone por causa de uma fibrose pulmonar.

“Eu me conscientizei de que, em vez de lamentar e chorar, eu devia ser grato pelo fato de que fui capaz de fazer música durante toda a minha vida. Isto e minhas crenças espirituais, que cultivo há muitos anos. E todo esse trabalho fez-me aceitar o fato de que não poderia mais tocar meu saxofone”.

Agora, disse, está mais feliz do que nunca e “muitas coisas foram compreendidas”. A lição mais importante, afirmou, é viver respeitando o princípio básico: tratar os outros como deseja ser tratado. Mas nem sempre foi assim no caso dele: “fiz algumas coisas ruins quando tocava meu sax”. Agora ele tenta corrigir seu carma ruim.

“O que preciso entender é que o preceito de dar é melhor do que receber é a maneira certa de viver. Viver sua vida hoje de uma maneira positiva. Ajudar as pessoas quando puder. Não causar dano a ninguém. Isso funciona perfeitamente para mim”./ TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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