Jackie Dives para o New York Times
Jackie Dives para o New York Times

A mais britânica das cidades canadenses espera Meghan e Harry

'Como o casal, esta cidade está tentando trazer um velho passado para o futuro', diz historiador

Dan Bilefsky, The New York Times

16 de fevereiro de 2020 | 06h00

Se o príncipe Harry algum dia se sentir solitário no Canadá, ele pode visitar sua tatatatatataravó, que está sempre à mesa de jantar degustando um sherry. Até recentemente, Ken Lane, que já administrou o Real Museu de cera em Vitória, Columbia Britânica, mantinha estátua de cera da rainha Vitória no porão, ao lado de Elvis, Grumpy Smurf e outros itens de seu museu, que fechou em 2010. Mas após a recente chegada de Harry e sua mulher, Meghan, a Vitória, Lane mudou a estátua da rainha para o andar superior.

Vitória agora preside a mesa, “conversando” com estátuas da rainha Elizabeth, da princesa Diana e de Winston Churchill. A bandeira britânica está na parede. Lane espera que a renúncia de Harry e Meghan aos compromissos reais e sua mudança para o Canadá renove o fascínio pela realeza britânica, fazendo com que sua coleção de 350 figuras de cera encontre um novo lar.

“Meghan e Harry são nobres popularaes e eu lamento os incômodos pelos quais vêm passando”, disse Lane, ex-presidente do escritório em Vitória da Liga Monarquista do Canadá, que apoia a monarquia constitucional do país. A avó de Harry, rainha Elizabeth II, é a chefe de Estado do Canadá. Vitória, na extremidade sul da Ilha de Vancouver, há muito tempo se assume como a cidade mais inglesa do país. Sua arquitetura é Tudor, seus pubs têm nomes como Churchill e sua especialidade gastronômica é a marmelada.

A cidade é sede do governo da Columbia Britânica e um destino famoso para aposentados e casais em lua de mel. Mas, com uma nova geração de migrantes, uma crescente indústria tecnológica e uma prefeita que se recusa fazer o tradicional juramento de obediência à rainha, a simpática cidade não quer mais ser conhecida como “um pedacinho da velha Inglaterra”.

“Harry e Meghan são um casal moderno tentando romper com a tradição e por isso parecem se dar tão bem em Vitória”, diz John Adams, historiador local, de 70 anos. “Como o casal, esta cidade está tentando trazer um velho passado para o futuro.” Harry e Meghan devem se mudar para uma propriedade de frente para o mar avaliada em 18 milhões de dólares canadenses, ou US$ 14 milhões. Sua presença na ilha é vista com um misto de entusiasmo e estudada indiferença.

Uma que não está obcecada pelo casal real é a prefeita de Vitória, Lisa Helps. Ela é malvista por realistas como Lane por causa do juramento que se recusa a fazer. “Tenho grande respeito pelos ossos britânicos que repousam nesta cidade, mas esse tal juramento me parece anacrônico”, diz ela. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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