Ryan Donnell/Sesame Workshop
Ryan Donnell/Sesame Workshop

Projeto leva 'Vila Sésamo' a crianças refugiadas do Oriente Médio

O que acontece quando as pessoas que inventaram a televisão educacional tentam reinventar a ajuda humanitária?

Alex Carp, The New York Times

12 de fevereiro de 2020 | 06h00

Em seus 50 anos na televisão, Sesame Street, Vila Sésamo em português, ofereceu à sua audiência com uma ampla ideia dos problemas da infância, com lições sobre divórcio, racismo, luto e autismo - e com a ajuda do alfabeto. Este mês, uma nova versão do programa, intitulada Ahlan Simsim, ou Welcome Sesame (Bem-vindo, Sésamo), começou a ir ao ar para um público que, há menos de dez anos, não existia: as crianças que fugiram da guerra na Síria e nos países vizinhos, nas comunidades nas quais muitos se refugiaram ou buscaram asilo.

“Quando os fugitivos, por causa da guerra, não podem voltar aos seus países por pelo menos cinco anos, como no caso da maioria dos refugiados sírios’, disse o presidente do Comitê Internacional para os Refugiados, David Milibands, em uma audiência no Senado no ano passado, provavelmente permanecerão nesta situação por mais de vinte anos.

Vila Sésamo tornou-se um modelo global de educação para a infância. O seu novo projeto começou com o I.R.C. e educadores da Síria, Iraque, Jordânia e Líbano, em uma iniciativa destinada a reformular a ajuda humanitária. Uma infância em que as crianças vivem em algo que não é uma casa, isoladas de sua comunidade de rostos familiar, e com poucos lugares seguros para brincar, pode afetar não apenas o seu comportamento e a capacidade de aprendizado, como também o desenvolvimento mental.

“Pode ser muito difícil abrandar, ou mesmo lidar com estes danos,” disse Sherrie Westin, presidente da área do impacto social e da filantropia na Oficina Sésamo. Pesquisas preliminares realizadas na Jordânia e no Líbano concluíram que as crianças refugiadas têm problemas para encontrar a linguagem com a qual expressar as próprias emoções. Elas descrevem somente o que sentem em termos vagos: triste, feliz, apavorada.

O programa, que procurará identificar e administrar as emoções, terá milhares de assistentes sociais e irá a clínicas, centros comunitários, lares e outros espaços de reunião nos quatro países, para encontrar crianças, pais e cuidadores com a tarefa de oferecer-lhes suporte e aplicar muitas das lições da série. Hoje, menos de 2% da humanidade no mundo todo têm acesso à educação, “e apenas uma minúscula fração destes tem uma educação na primeira infância”, disse Sherrie Westin.

O programa começará com o básico. “Queremos que esta primeira temporada se preocupe fundamentalmente em identificar diferentes emoções, como frustração e raiva, nervosismo, solidão, e medo”, disse Scott Cameron, um dos produtores executivos da Oficina Sésamo. “Mas nós também devemos tornar estas atividades um divertimento”. “Ahlan Simsim”, que irá ao ar em árabe e curdo, têm dois personagens principais, Basma e Jad, “que vivem várias aventuras juntos”, disse Cameron. A eles se junta Ma’zooza, uma cabra que enfatizará o lado cômico.

Sésamo calcula que, graças à televisão, aos celulares, às visitas nas casas, às pré-escolas e aos esforços de educadores em toda a região, o projeto possa atingir nove milhões de crianças - em uma intervenção na primeira infância nunca vista, afirmam, na história da ajuda humanitária. “Queremos que este projeto seja um modelo de resposta humanitária não apenas no Oriente Médio”, disse Sherrie, “mas para crianças refugiadas onde quer que estejam.” / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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