Holly Pickett para The Nova York Times
Holly Pickett para The Nova York Times

Visita de turistas e diplomatas pode paralisar trânsito em Nova York

Cidade deve expandir seu sistema de alerta de congestionamentos para além do período de férias

Winnie Hu, The New York Times

04 Outubro 2018 | 10h15

Há dias de trânsito ruim em Nova York - muitos deles. E há dias de alerta de trânsito pesado. Esses são os piores de todos os dias, com pedestres ultrapassando carros, ruas transformadas em estacionamentos e brigas eclodindo em cada esquina.

Mas, em outro indício do quanto a cidade está ficando lotada, o alerta anual de congestionamento foi ampliado para 16 dias - foram 10 dias no ano passado - e começou mais cedo, no dia 24 de setembro, para cobrir a sessão das Nações Unidas.

Milhares de líderes mundiais e diplomatas - incluindo o presidente Donald J. Trump - e suas equipes de segurança chegaram para uma série de reuniões, festas e compras. Os engarrafamentos e a interrupção de vias por motivo de segurança transformaram Manhattan num labirinto, mesmo para os motoristas mais experientes.

"Durante a semana da ONU, é melhor esquecer", disse Leo Lazarev, 68 anos, técnico de aquecimento, ventilação e ar-condicionado que não tem escolha a não ser andar de picape com seu equipamento. "Tudo fica impossível. Não se pode dirigir. Nem andar a pé. Há gente por toda parte".

A verdade é que o trânsito provocado pela ONU se tornou pior que o gerado pelo desfile de Ação de Graças, a cerimônia da árvore de natal no Rockefeller Center e a virada do ano na Times Square. A cidade vai gastar US$ 500 mil em uma nova campanha para alertar a respeito dos dias de trânsito intenso e em anúncios na internet para tentar tirar mais motoristas das ruas. A mensagem para os motoristas? "A viagem por Midtown vai demorar três vezes mais".

Os dias de alerta de congestionamento em Nova York são o mais amplo sistema de alerta de trânsito dos Estados Unidos, embora outras cidades também emitam alertas quando há atrasos importantes provocados por fatores como tempestades, obras ou eventos especiais.

O número de veículos circulando pelo centro comercial de Manhattan num dia útil de outono caiu de aproximadamente 815 mil em 2004 para cerca de 718 mil em 2017. Mas o trânsito ficou praticamente parado em Midtown, com os veículos alcançando velocidade média de 7,6 quilômetros por hora. São muitos os motivos: uma frota de Ubers e outros motoristas, muitos deles circulando pelas ruas em busca de uma corrida; um aumento nos caminhões de entregas com o progresso do comércio eletrônico; e obras contínuas que interrompem vias integral ou parcialmente.

Numa tarde recente, trabalhadores e moradores de Midtown Manhattan disseram gostar da ideia de mais alertas de trânsito pesado, pois algo deveria ser feito para que retomem seu bairro. A agente de segurança Sandra Ritter, de 56 anos, disse esperar que mais motoristas prestassem atenção. 

"Por que alguém viria de carro para cá sabendo como está a situação do trânsito?", indagou ela. “Se disserem que há um furacão vindo, você começa os preparativos".

Mas o estrategista de publicidade Mike Pieczyski, 55 anos, se disse cético em relação à possibilidade de mais alertas de trânsito pesado serem o suficiente.

"Quando temos uma visita do presidente além do trânsito habitual, tudo vira uma bagunça. Acho que a única coisa que realmente vai funcionar é levar a ONU para um prédio em outro país", comentou.

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