Dar Yasun/Associated Press
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Sarah Almukhtar, The New York Times

31 de agosto de 2018 | 10h15

Cerca de 1,7 milhão de peregrinos estrangeiros estiveram em Meca, na Arábia Saudita, no final de agosto, para a Hajj, a peregrinação anual de cinco dias de duração que os muçulmanos do mundo inteiro fazem seguindo os mandamentos do profeta Maomé.

Levando em conta os numerosos apelos e as preocupações com a segurança depois de alguns graves acidentes, o governo saudita ampliou rapidamente as instalações para a Hajj em Meca, a fim de hospedar mais peregrinos. Em seu auge, em 2012, a Hajj recebeu 3,16 milhões de fiéis. Mas mesmo com 3 milhões de peregrinos a cada Hajj, seria impossível para todos os muçulmanos do mundo, 1,8 bilhão, cumprirem a obrigação religiosa da peregrinação uma vez na vida. Para que todos os que hoje estão vivos, levaria pelo menos 581 anos.

E estes são apenas os que estão vivos hoje - sem contar os nascimentos futuros ou os que já fizeram sua Hajj, embora uma pesquisa feita pela Pew em 39 países no anos de 2013 tenha concluído que 9% dos muçulmanos a haviam feito.

Todos os muçulmanos que têm condições físicas e financeiras para completar a Hajj devem fazê-lo uma vez na vida. O número de peregrinos estrangeiros cresceu mais de dez vezes desde a Segunda Guerra Mundial.

No entanto, nem todos os muçulmanos que querem fazer a peregrinação podem fazê-la, e milhões no mundo todo esperam anos por esta possibilidade. Os custos podem ser proibitivos - duas ou três vezes o salário de um ano, em alguns lugares - e os vistos podem ser difíceis de obter. Todos os anos, pelo menos 25% dos peregrinos são cidadãos ou residentes na Arábia Saudita. O governo saudita estabeleceu cotas aos países que enviam peregrinos para a Hajj com base em sua população muçulmana.

Mas mesmo os países com grandes populações muçulmanas podem enviar apenas uma pequena fração de seus cidadãos. Na Indonésia - com mais de 200 milhões, a maior população muçulmana do mundo -, a espera pode variar de sete a 37 anos. Alguns países se queixam de que a alocação da cota não é suficientemente transparente, ou que deveria basear-se na demanda, e não na população muçulmana.

Outros países afirmam que Meca já chega à sua capacidade máxima durante a Hajj, e os esforços para ampliá-la estão se dando à custa da herança cultural do Islã e da espiritualidade da peregrinação. Vários sítios islâmicos históricos foram destruídos nos últimos anos para dar espaço a hotéis e shopping centres luxuosos, que só servem para os peregrinos mais ricos. Estes fatos se sobrepõem à Kaaba, a estrutura em formato de cubo no centro da Grande Mesquita ao redor da qual os peregrinos circulam, e que é considerada a Casa de Deus.

Entretanto, a Arábia Saudita não para de construir. O programa de construções, que dura vários anos, inclui a expansão da mesquita ao redor da Kaaba para abrigar 1,85 milhão de pessoas.

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