via Vogue Italia
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Pela sustentabilidade, edição da Vogue Itália exclui fotografia da revista

Editores internacionais da Vogue se comprometeram a contribuir “para a preservação do nosso planeta para as futuras gerações”

Jessica Testa, The New York Times

20 de janeiro de 2020 | 06h00

O que é uma revista de moda sem as fotos? Sem aquelas imagens fabulosas das modelos, fotografadas em ambientes glamorosos  e produzidas por um pequeno exército de cabeleireiros, artistas maquiadores, editores e assistentes? É uma revista preocupada com o meio-ambiente. Ou pelo menos é o que diz a Vogue Italia, este mês, querendo afirmar sua posição a respeito da sustentabilidade com a omissão dos serviços fotográficos.

Em sua nota às leitoras da edição de janeiro de 2020, o editor-chefe Emanuele Farneti descreveu o que é necessário para encher uma edição de sua revista com fotografias próprias. “Umas cento e cinquenta pessoas. Cerca de vinte viagens de avião e mais de uma dezena de trens. 

Quarenta automóveis em standby. Sessenta remessas internacionais. Luzes acesas ininterruptamente pelo menos por dez horas, em parte produzidas por geradores à gasolina. Comida em excesso dos serviços de catering. Plástico para embrulhar as roupas. Eletricidade para recarregar os celulares, câmeras...”

Confessar esta poluição é importante para Farneti, particularmente depois que ele e outros 25 editores internacionais da Vogue se comprometeram em dezembro a contribuir “para a preservação do nosso planeta para as futuras gerações”. “É muito importante que comecemos a agir”, afirmou.

E o que ele fez? Substituiu as fotos por ilustrações, contratou artistas para “mostrar os vestidos sem fotografá-los”. A edição vem com oito capas diferentes. Cada uma retrata uma modelo vestindo uma roupa Gucci, embora as capas apresentem estilos variados. Todas trazem uma frase: “Para a preparação desta edição não foi necessária nenhuma produção fotográfica”.

Para a sua capa, a artista multimídia italiana Vanessa Beecroft apresentou uma figura curvada, como se tentasse contorcer o próprio corpo a fim de se encaixar nos limites da capa da revista. Cassi Nomada, pintora moçambicana-americana, apresentou a ilustração de uma modelo chorando sentada na beirada de uma poltrona vermelha. Perto de sua cabeça aparece sangue que jorra de um mosquito, o que, segundo a revista, representa o aquecimento global.

A Vogue Italia usa há muito tempo problemas sociais como temas da moda. Franca Sozzani, a editora anterior, publicou editoriais sobre o tema da violência doméstica, o vazamento de petróleo da BP e a guerra ao terror. Farneti continuou a tradição. No entanto, a edição quer significar um gesto - não a mudança a longo prazo, que poderia reduzir de fato a marca de carbono para a realização da revista. Farneti sabe disto.

Como um primeiro passo para frente, ele disse que este ano, a Vogue Italia será uma das primeiras das publicações internacionais da Condé Nast a usar invólucros de plástico 100% descartáveis. O dinheiro economizado com a abolição dos serviços fotográficos da revista será doado a um centro cultural e biblioteca em Veneza, cidade que foi danificada em novembro pelas marés muito altas.

“Acho que coisa mais honesta para enfrentar um problema é começar a admiti-lo”, disse Farneti, referindo-se aos custos para o ambiente enumerados na sua carta do editor. “Esta é a nossa maneira de dizer que temos consciência de fazer parte de um negócio que está longe de ser sustentável”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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