Robyn Beck/Agence France-Presse - Getty Images
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Yola: cantora britânica de country-soul perseverou para chegar ao topo

Artista de 36 anos recebeu quatro indicações ao Grammy Awards. Cantora deixou os trabalhos em parceria para apostar no projeto solo

Jon Pareles, The New York Times

05 de fevereiro de 2020 | 06h00

Yola - Yolanda Claire Quartey - cantou na sua primeira sessão de gravação, 20 anos atrás, quando era ainda adolescente em Bristol, a sua cidade natal. Aos 36, nas duas últimas décadas, houve momentos ao longo do seu caminho, em que Yola não teve onde morar, excursionou internacionalmente e fez aparições escondidas em hits da música pop.

No fim, acabou chegando a Nashville para gravar o seu álbum de estreia, Walk Through Fire, com Dan Auerbach dos The Black Keys como produtor, graças ao qual teve quatro indicações ao Grammy, mas nenhum prêmio em uma competição dominada por Billie Eilish. A única constante em todo este tempo foi sua voz formidável - com um alcance que cobre quatro oitavas, sustentada pelo poder de infundir sua alma profunda em tudo o que ela canta. No palco, e fora dele, ela é uma presença vívida: uma contadora de histórias com uma imponente figura afro e uma risada exuberante.

Yola define orgulhosamente a sua música como “gênero fluido” e “fora do tempo”. A sua canção indicada para o Grammy, Faraway Look, é uma balada carregada de ressonâncias que lembra o melodrama pop do início dos anos 1960 dos Righteous Brothers e Roy Orbison. Grande parte do seu álbum volta ao melhor soul da tradição sulista, cantado com grande vigor, e reivindicando a relação entre música soul e country que Yola resume como “estrada que une Nashville e Memphis”.

As músicas sobre o amor e a autopreservação em Walk Through Fire marcam a fuga de Yola do “ambiente negativo, abusivo” dos seus 20 anos, como ela o lembra - quando trabalhava constantemente como cantora e coautora - o que a convenceu por tempo demais de que não teria condições de fazer música própria.

“Eu fui feita para ter medo da minha própria personalidade em cada situação em que me encontrava antes de trabalhar por minha conta”, disse. Ela descreve Walk Through Fire como “uma gravação de rompimento” com o seu eu anterior, e com toda a sua desconfiança.

Yola abandonou a faculdade para trabalhar como cantora. Em meados dos anos 2000, cantou para Bugz in the Attic, um grupo (de DJs e compositores) de música pop que atraía grandes públicos na Europa, Ásia e Austrália, e em 2008 excursionou com os pioneiros do trip-hop de Bristol, Massive Attack. Também cantou e foi coautora de canções do seu próprio grupo, os Phantom Limb.

Nos bastidores, ela continuou a trabalhar como cantora de estúdio, berrando sucessos que outros haviam escrito ou apresentando letras e melodias para as as faixas deles. “Toda a minha vida foi de codependência”, ela disse. Em 2012, Yola começou a se redefinir. Rompeu com antigos associados, aprendeu a tocar guitarra e começou a compor músicas próprias. Financiou e produziu a sua estreia em grande parte acústica, Orphan Offering. E excursionou com uma banda completa.

Em 2017, depois de fazer tours em festivais nos Estados Unidos, Europa e Escandinávia, já havia construído um considerável sucesso na base do boca a boca. Um vídeo da sua apresentação chegou às mãos de Auerbach. “Assim que a ouvi, quis conhecê-la”, ele disse ao telefone. “Fiquei imediatamente impressionado pela sua voz, pela extensão que ela tem, pelo comando que ela mantém - isto me atraiu”.

Eles compuseram e gravaram rapidamente Walk Through Fire. Yola, Auerbach e vários coautores se reuniram para sessões de composição. Em uma semana e meia, prepararam dezenas de músicas. “Algumas pessoas têm o dom, outras não”, disse Auerbach. “O seu som é como uma gravação”. Yola voltou a trabalhar em colaborações, mas em Nashville, disse Auerbach. “Ela era a líder. Ela não tem medo de levar a coisa ao extremo, e o seu extremo é muito além do que é para a maioria das pessoas”.

Conseguir ser reconhecida com indicações ao Grammy por um trabalho feito com suas próprias condições “me fez sentir como se fosse a primeira vez. Eu tinha a sensação de uma rede de segurança,” disse Yola. “Estou ótima, posso continuar crescendo e, se precisar assumir outro risco, irei assumir. Tudo funciona. Não sou louca. Esta é a base sólida sobre a qual vou construindo a minha fabulosidade”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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