4.º candidato é assassinado antes de eleição regional no Iraque

Vítima era ex-membro do Exército de Saddam; pleito acontece neste sábado e é teste para premiê iraquiano

Efe e Associated Press,

30 de janeiro de 2009 | 09h30

Um candidato das eleições provinciais iraquianas marcadas para o próximo sábado foi morto nesta sexta-feira, 30, junto com seu irmão e com seu primo na província de Diyala, a nordeste de Bagdá, o que aumenta para quatro o número de candidatos assassinados nos últimos dois dias.   Veja também: Eleições regionais testam influência do premiê iraquiano Entenda as eleições regionais no Iraque   Segundo fontes da Polícia citadas pela agência de notícias Aswat Al Iraq, um grupo de homens armados, possivelmente vinculados à Al-Qaeda, interceptou o veículo de Abbas Farha Khalaf na localidade de Madali e o mataram junto com seu irmão e um de seus primos que viajavam com ele.   Khalaf, ex-membro do Exército de Saddam Hussein, concorria nas eleições provinciais. Outros três candidatos às eleições provinciais iraquianas morreram nas últimas 48 horas em vários ataques no Iraque, informaram fontes policiais.   Dois membros do sunita Partido Islâmico Iraquiano (PII), um deles candidato às eleições provinciais de sábado, morreram em ataques em Bagdá. Em um dos episódios, um grupo de insurgentes atirou no responsável do PII Omar Farouk al-Ani, candidato da Frente do Consenso Iraquiano - principal bloco sunita do Iraque - nas eleições. O caso ocorreu no bairro de Al-Ameriya, no oeste da capital, e o político morreu em decorrência dos ferimentos. As fontes acrescentaram que o incidente aconteceu depois que, na quarta-feira à noite, foi assassinada a ativista política Mayada al-Bayati, membro do PII, por disparos de vários rebeldes que invadiram sua casa no bairro de Al-Yarmouk, no oeste de Bagdá.   Por outro lado, fontes do Ministério do Interior informaram que um grupo de homens armados matou a tiros outro candidato, identificado como Hazem Salem, membro de outra legenda sunita, perto de sua casa no bairro de Amel, no sul de Mossul, cerca de 400 quilômetros ao norte de Bagdá. Em outro ataque, pelo menos três pessoas foram sequestradas e assassinadas, entre elas outro candidato às eleições, perto de Baquba, cerca de 150 quilômetros ao nordeste da capital, disseram as fontes.   Toque de recolher   A polícia iraquiana impôs toque de recolher nesta sexta-feira na cidade de Mossul, norte do país, proibindo a circulação de veículos e impedindo os moradores de deixarem suas casas até que votem nas eleições provinciais do final de semana, disse um membro da polícia iraquiana. Este foi o primeiro passo de uma série de amplas medidas de segurança programadas para antes das eleições, que incluem o fechamento das fronteiras internacionais iraquianas, o impedimento da circulação de carros em Bagdá e em outras cidades importantes e a paralisação do tráfego aéreo.   Centenas de mulheres, incluindo professoras e servidoras municipais, foram recrutadas para ajudar a revistar eleitoras depois do aumento no número de suicidas mulheres no ano passado. O Iraque também fechou suas fronteiras com o Irã nesta sexta-feira e a passagem na cidade de Basra, ao sul, deve ser fechada da noite de sexta-feira até a manhã de domingo, disse o porta-voz do Ministério do Interior do Iraque, general Abdul-Karim Khalaf. "As fronteiras terrestres e aéreas serão fechadas, mas não haverá restrições à movimentação de pessoas no interior da cidade", disse Khalaf.   Acredita-se que a maioria das outras cidades do país tomarão o mesmo tipo de medidas até o final desta sexta-feira. Mais de 14 400 candidatos concorrem a 440 cargos em 14 das 18 províncias do país. As fronteiras da cidade de Mossul foram fechadas nesta sexta-feira para veículos e um toque de recolher estava programado para começar algumas horas depois, disse o coronel Safaa Abdul-Razzaq, porta-voz do comando conjunto de operações na província de Nínive.   Abdul-Razzaq disse que o toque de recolher foi imposto para conter qualquer ato potencial de violência na terceira maior cidade do Iraque. A proibição da circulação de carros em Mossul vai até domingo. Enquanto em Bagdá e outras cidade do Iraque registraram substancial melhora na segurança, forças iraquianas e norte-americanas continuam a combater a Al-Qaeda e outros insurgentes em Mossul. A cidade multiétnica tem sido uma das mais difíceis de controlar depois que insurgentes fugiram para a região após as ações das forças dos Estados Unidos e do Iraque em outros locais.   As tensões cresceram antes das eleições na medida em que curdos e as partidos majoritariamente sunitas tentam conquistar o poder. O Exército dos Estados Unidos vem assumindo um papel secundário no direcionamento das atividades de segurança para a eleições, mas planeja enviar grande quantidade de soldados para as ruas durante a votação.   Na sexta-feira, um bomba colocada às margens de uma estrada, encontrada ao sul de Bagdá, matou três policiais e deixou 17 feridos depois de ter explodido enquanto o grupo tentava desarmá-la. Informações iniciais indicavam que duas pessoas haviam morrido e 14 ficado feridas. A bomba explodiu dentro de um complexo da polícia em Diwaniyah, para onde foi levada para ser desarmada por um grupo de especialistas, disse um oficial, que falou sob condição de anonimato.

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