60 oficiais de segurança são detidos por atentados no Iraque

Governo quer saber como caminhões-bomba passaram por barreiras militares; 155 morreram e 500 ficaram feridos

estadao.com.br,

29 de outubro de 2009 | 08h13

As autoridades iraquianas detiveram nesta quinta-feira, 60 membros dos serviços de segurança para serem interrogados sobre o massacre de domingo, informaram fontes militares. Nos atentados, em frente à sede do governo de Bagdá e diante do Ministério da Justiça, 155 pessoas morreram e cerca de 500 mais ficaram feridas.

 

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A dupla explosão do domingo foi a mais grave registrada no Iraque nos últimos dois anos. As bombas estavam dentro de dois caminhões dirigidos por terroristas suicidas, que conseguiram passar por várias barreiras policiais, controles que costumam existir para chegar à capital iraquiana. As bombas explodiram perto da Zona Verde, a área mais segura do país, que conta com medidas de segurança especiais e na qual se encontram sedes de embaixadas e de outros ministérios. O Estado Islâmico do Iraque, um conglomerado de grupos terroristas vinculado à Al-Qaeda e criado em outubro de 2006, assumiu a autoria do ataque.

 

As detenções foram divulgadas na televisão iraquiana pelo porta-voz do Comando de Operações de Bagdá, Qasim Atta Moussawi, que disse que os oficiais detidos têm diferentes categorias. "Os oficiais e os agentes serão submetidos à investigação de um comitê criado para identificar e punir os culpados", acrescentou o general Atta.

 

"A comissão de investigação sobre o duplo atentado ordenou a detenção de 11 oficiais de diferentes graus militares e 50 elementos dos serviços de segurança responsáveis pela proteção" da região, afirmou o porta-voz. Entre os detidos estão quatro oficiais superiores do Exército e sete da polícia, entre eles o chefe da polícia de Salhiya e o titulas de uma delegacia próxima do Ministério de Justiça. Os comandantes de 15 postos de controle da região também foram presos.

 

O governador de Bagdá, Salah Abdel Razzak, já tinha mencionado na segunda-feira a responsabilidade das forças de segurança nos atentados contra o ministério e a sede do governo da cidade. Ele ainda pediu a destituição do Ministro do Interior e do responsável pelas forças de segurança na capital. "Trata-se de uma falha humana. Uma câmera fixa do Ministério de Justiça filmou o atentado suicida. Era um caminhão Renault branco da companhia de água de Faluja. Como ele chegou até aqui e passou por todas as barreiras?", questionou.

 

Fontes do Ministério do Interior disseram que um civil morreu nesta quinta e outros dois ficaram feridos devido à explosão de um carro-bomba dirigido por um suicida na passagem de uma patrulha de soldados dos EUA na cidade de Baquba, ao nordeste de Bagdá. Não há informações sobre os possíveis ferimentos sofridos pelos soldados americanos, e as fontes oficiais iraquianas só afirmaram que os veículos foram danificados pela bomba.

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