80% de Gaza precisa de alimentos, diz ONU; ajuda é retomada

Porta-voz da órgão afirma que há comida na região, mas contínuos ataques israelenses atrapalham distribuição

Agências internacionais,

09 de janeiro de 2009 | 15h58

A ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza deixou a maioria dos 1,5 milhão de habitantes com problemas de alimentação e a falta de segurança está atrapalhando os esforços para a distribuição de ajuda, disse Nancy Ronan, porta-voz do Programa Mundial de Alimentação da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta sexta-feira, 9. Os ataques israelenses fizeram com que pelo menos 80% da população tenha se tornado dependente de alimentos doados, disse Ronan.   Também nesta sexta, a ONU anunciou que retomará as operações em Gaza após receber "garantias críveis" do alto comando militar israelense de que suas tropas respeitarão os trabalhos humanitários da organização. Nos últimos dias, forças israelenses bombardearam uma escola da ONU em Gaza, matando pelo menos 50 civis, e atacaram um comboio de caminhões com bandeiras da organização que levavam alimentos e medicamentos para as vítimas. Os incidentes haviam levado a ONU a suspender temporariamente o fornecimento de ajuda humanitária, medida que também foi seguida pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha.   Veja também: ONU afirma que 257 crianças palestinas morreram em Gaza Cruz Vermelha suspende temporariamente ação em Gaza Brasil despacha ajuda; Amorim visitará Oriente Médio  'Crianças crescem em bunkers', diz brasileiro em Israel Embaixador brasileiro no Egito fala da negociação entre Hamas e Egito  Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques       "A necessidade por comida é horrível", contou Nancy à agência France Presse em Rafah, fronteira egípcia com a Faixa de Gaza. Desde o início dos conflitos, a ajuda humanitária chega a Gaza por Rafah. "80% da população passa por necessidades. Neste momento, talvez o porcentual seja maior", disse ela. "Nós temos comida em Gaza, mas agora temos um problema de distribuição por causa da situação de segurança."   Em Genebra, na Suíça, o Conselho de Direitos Humanos da ONU realizou uma reunião extraordinária, na qual a presidente do órgão, Navi Pillay, advertiu que as violações dos direitos humanos que estão acontecendo em Gaza são "severas" e que alguns dos incidentes relatados poderão levar a processos por crimes de guerra.   "Deve-se assegurar uma prestação de contas sobre as violações das leis internacionais. Lembro a este Conselho que as violações das leis humanitárias internacionais podem constituir crimes de guerra, pelos quais a responsabilidade individual poderá ser invocada", afirmou Pillay.    Ataques   O Exército de Israel ignorou seu próprio anuncio de uma pausa diária de três horas na ofensiva militar contra a Faixa de Gaza e bombardeou vários locais no território palestino nesta sexta-feira. Testemunhas disseram que tanques israelenses dispararam contra alvos em Jabaliya e Beit Lahiya, no norte da Faixa de Gaza, e no bairro de Zeitun, na Cidade de Gaza.   No 14º dia da ofensiva israelense, o número de mortos, estimado por voluntários da ONU, ultrapassou os 780, com cerca de 3.200 feridos; 13 israelenses morreram, dos quais dez soldados.   Em Jerusalém, o primeiro-ministro demissionário de Israel, Ehud Olmert, disse ao fim de uma reunião do gabinete de segurança de seu governo que as tropas israelenses vão continuar a ofensiva contra Gaza, apesar da resolução adotada na noite desta quinta-feira pelo Conselho de Segurança da ONU, que pedia um cessar-fogo imediato. "Israel nunca concordou com que qualquer influência externa decidisse sobre seu direito de defender seus cidadãos", diz comunicado divulgado pelo gabinete de Olmert.

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