À espera de ataques de Israel, forças do Hamas buscam abrigos

Quando os letaisaviões-robô de Israel começaram a sobrevoar os céus em busca denovos alvos do Hamas, o tenente Atef al-Husary e seus homensabandonaram sua delegacia e montaram um posto improvisadodebaixo de uma árvore. Prevendo que os israelenses intensificarão sua campanhamilitar para coibir o lançamento de foguetes por militantes daFaixa de Gaza, o grupo islâmico, que domina aquele territóriocosteiro, mandou que suas forças de segurança abandonassem asdelegacias de concreto e ferro, alvos fáceis para bombardeios. Depois da ordem, os membros do Hamas se dispersaram. Agora,não se concentram mais em grandes números e raramente usamcarros. Nas ruas, escondem-se atrás de árvores ou na sombra dosprédios. Israel matou ao menos 45 membros do Hamas desde o começo doano, disparando contra prédios oficiais ou contra carros comoparte de uma campanha que diz ter lançado para isolar o grupomilitante e impedir novos ataques com foguete. O Hamas diz que os foguetes servem de resposta àsinvestidas do Exército israelense na Faixa de Gaza e naCisjordânia ocupada. Husary costumava comandar uma das duas principaisdelegacias da cidade de Gaza. Seu novo posto ao ar livreresume-se a uma cadeira e uma mesa. "A situação está complicada", afirma. A árvore sobre acabeça dos policiais fornece pouca proteção contra a chuvaforte, que dirá contra os foguetes de Israel. Quando algum morador da região deseja prestar uma queixa,Husary corre até a delegacia abandonada, do outro lado da rua,e pega os formulários de que precisa. O tenente preenchia um desses documentos na terça-feiraquando um de seus homens viu um avião-robô no céu, fazendo comque abandonassem o posto momentaneamente. O nível de tensão aumentou bastante nos últimos dias,período no qual o grupo islâmico assumiu a responsabilidade porum atentado suicida que matou uma israelense e por um fogueteque custou a um menino israelense de 8 anos parte de sua perna. O Hamas venceu as eleições parlamentares de janeiro de2006, mas o governo foi rejeitado pelo Ocidente por se recusara reconhecer Israel e a renunciar à violência. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, depôs o governoliderado pelo Hamas em junho após as forças do grupo islâmicoterem expulsado da Faixa de Gaza a facção Fatah, um grupo maissecular ligado a Abbas. Pelo fato de as forças de segurança do Hamas estaremdispersas pelo território, alguns criminosos podem seaproveitar, afirmou o major da polícia Abu Emad, chefe deHusary. Segundo Abu Emad, seus homens continuavam realizandoprisões. O problema seria encontrar um lugar para colocar osdetentos. Em vez de usar uma cela da delegacia, um homem preso portráfico de drogas era obrigado a ficar encostado, em pé, contrauma parede enquanto guardas o vigiavam.

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