A lobby pró-Israel, Hillary critica expansão de assentamentos

Construções são obstáculo para acordo de paz, diz secretária de Estado americana

Reuters,

22 de março de 2010 | 13h12

Hillary discursa na sede da Aipac em Washington. Foto: Mike Theiler/Efe

WASHINGTON - A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, afirmou nesta segunda-feira, 22, que Israel enfrenta "escolhas difíceis, porém necessárias" com relação à paz no Oriente Médio e prometeu pressionar pela adoção de sanções muito duras ao Irã devido a seu programa nuclear.

Veja também:

blog Chacra: Manual da crise EUA-Israel

lista  O que pedem os negociadores internacionais 

Falando ao influente grupo de lobby pró-Israel Aipac após um momento turbulento nas relações EUA-Israel, Hillary disse que a administração Obama tem um compromisso "sólido como pedra" com a paz e a segurança de Israel.

Mas ela identificou a política de Israel de expandir os assentamentos judaicos em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia como obstáculo ao progresso de paz, algo capaz de colocar em risco os esforços dos EUA para levar Israel e os palestinos de volta à mesa de negociações.

"As novas construções em Jerusalém Oriental ou na Cisjordânia prejudicam a confiança mútua e colocam em risco as conversações de proximidade, que são o primeiro passo em direção às negociações plenas que os dois lados querem e necessitam", disse Hillary.

"Elas expõem divergências entre Israel e os Estados Unidos, algo que outros na região podem querer explorar. E isso prejudica a capacidade singular da América de exercer um papel no processo de paz -- papel esse que, vale acrescentar, é essencial."

A questão dos assentamentos judaicos azedou as relações dos EUA com seu aliado mais estreito no Oriente Médio. Durante a visita do vice-presidente norte-americano Joe Biden à região, Israel aprovou planos para novas construções em Jerusalém Oriental, levando os palestinos a dizer que se retirariam das conversações indiretas que Washington acabara de conseguir promover.

Hillary Clinton deve reunir-se ainda nesta segunda-feira com o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, que está visitando os EUA, enquanto o enviado de paz dos EUA ao Oriente Médio, George Mitchell, está na região procurando reiniciar as conversas.

Netanyahu, que chegou a Washington na manhã desta segunda, propôs um conjunto de medidas para aumentar a confiança após a questão dos assentamentos, mas declarou no domingo que Israel não abrirá mão de seu direito de construir assentamentos judaicos em volta de Jerusalém.

Hillary enfatizou a visão de Washington de que o status quo entre Israel e os palestinos é insustentável, dizendo que "a dinâmica da demografia, ideologia e tecnologia" vai acabar por impor mudanças políticas.

Esse status quo também estaria complicando muitos outros objetivos políticos dos EUA na região, incluindo seus esforços para conseguir formar uma frente unida contra o programa nuclear iraniano, disse a secretária.

"Existe um outro caminho," disse ela. "Um caminho que conduz à segurança e prosperidade para todas as pessoas da região. Esse caminho vai exigir que todas as partes, incluindo Israel, façam escolhas difíceis, mas necessárias."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.