Abbas aceitará Estado com fronteiras temporárias, diz jornal

Pesquisa realizada em territórios palestinos mostra aumento da popularidade do Fatah e queda do Hamas

Efe,

23 de agosto de 2007 | 07h42

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, está disposto a estabelecer um Estado independente com fronteiras temporárias, para negociar limites definitivos mais tarde, informa a edição desta quinta-feira, 23, do jornal israelense Haaretz. Veja também:Abbas desmente que aceitaria fronteiras temporárias O jornal de Tel Aviv se baseia em "fontes ligadas" a Abbas. Ele estabeleceria o Estado palestino após assinar com o primeiro-ministro israelense Ehud Olmert um "acordo de princípios". A condição seria a garantia internacional de um prazo final para terminar a negociação sobre as futuras fronteiras permanentes. Um alto funcionário israelense que participa das conversas com representantes da ANP, citado pelo Haaretz sem ser identificado, declarou que o acordo de princípios não incluirá detalhes sobre os territórios ocupados que Israel entregará aos palestinos. A devolução de territórios capturados em 1967 na Cisjordânia compreenderá também uma troca de terras. Israel manterá os grandes blocos de assentamentos, alguns deles do porte de uma cidade, como Ariel e Ma'aleh Adumim. Uma estrada por território israelense unirá a Cisjordânia com a Faixa de Gaza. A rodovia é uma proposta formulada por Israel à ANP a fim de manter a continuidade entre os dois territórios palestinos, para conservar a unidade política entre eles. Se as partes chegarem a concretizar o "acordo de princípios", os detalhes, assim como o traçado final das fronteiras, seria negociado depois. O documento, ainda em debate entre representantes das duas partes, pode se transformar na base das deliberações da conferência de paz convocada para novembro pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. O jornal destaca que Washington não elaborou ainda uma agenda de assuntos para a conferência. O ponto de partida para delimitar as fronteiras será a "cerca de segurança", que deixaria em poder do futuro Estado palestino 92% da Cisjordânia. Os outros 8% representariam os principais assentamentos, mas a estrada entre Cisjordânia a Gaza seria parte da troca. Na questão dos refugiados, Israel reconheceria o sofrimento das vítimas da primeira guerra árabe-israelense, de 1948, e aceitaria indiretamente alguma responsabilidade por ele. O governo ajudaria um possível projeto internacional para reabilitar os refugiados, que com seus descendentes são mais de 4 milhões, no futuro Estado palestino e nos países onde se estabeleceram depois da guerra, no Líbano e na Jordânia. A soberania política em Jerusalém é outro tema difícil. Os israelenses consideram a cidade sua "capital indivisível". Segundo funcionários que participam das conversas, Israel entregaria à ANP bairros e aldeias anexadas depois da guerra. Durante as negociações da última etapa Israel cederia à ANP a maior parte dos bairros da "Jerusalém árabe", onde Abbas quer sediar a capital palestina. A área de um quilômetro quadrado dos santuários religiosos seria administrada por representantes das religiões judaica, muçulmana e cristã. O terreno inclui o Muro das Lamentações, o Santo Sepulcro e as mesquitas sagradas de al-Aqsa e de Omar.PopularidadeO presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e o seu movimento nacionalista, o Fatah, aumentaram ligeiramente sua popularidade, em detrimento do grupo islâmico Hamas, segundo os resultados de uma pesquisa. A pesquisa do Centro de Comunicação e Mídia de Jerusalém (JMCC, sigla em inglês) foi feita na Cisjordânia e em Gaza. Ela mostra que 20,6% dos palestinos votariam em Abbas se as eleições fossem realizadas nesta quinta-feira, 23. Já 18,8% preferem o deposto primeiro-ministro e líder do Hamas, Ismail Haniyeh. O terceiro líder em disputa, o dirigente do Fatah preso em Israel Marwan Barghouti, obteria 16,6% de apoio do eleitorado. Abbas demitiu o Gabinete de união nacional dominado por Hamas e Fatah quando o movimento islâmico tomou o controle da Faixa de Gaza à força, em meados de junho. Após a revolta, a popularidade do Hamas caiu dos 25,2% de março para 21,6%, segundo o JMCC. O Fatah subiu de 31,4% para 34,4%. O primeiro-ministro interino palestino, Salam Fayyad, que substituiu Haniyeh no cargo, ampliou sua popularidade de 1% para 3,5%.Para 46,7% dos entrevistados, a situação em Gaza piorou desde que o Hamas tomou o poder. Só 27,1% acham que as condições são melhores. Entretanto, apenas 23% dos palestinos apóiam a antecipação de eleições. O Centro entrevistou 1.199 palestinos da Cisjordânia e Faixa de Gaza, entre 16 e 20 de agosto.

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