Abbas acusa Hamas de dificultar reconciliação palestina

Documento proposto pelo Egito foi recusado pelo partido extremista após divulgação de relatório da ONU

Efe,

20 de outubro de 2009 | 12h54

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, acusou o movimento palestino Hamas de dificultar a reconciliação entre as facções palestinas. As declarações de Abbas foram dadas nesta terça-feira, 20, no Cairo, capital do Egito.

 

"O movimento Fatah apoiou o acordo de reconciliação apresentado pelo Egito. O Hamas, porém, pôs obstáculos à reconciliação", disse Abbas depois de reunir-se com o presidente egípcio, Hosni Mubarak. Nas declarações apuradas pela agência oficial egípcia Mena, Abbas, presidente também do Fatah, avaliou como positivos os esforços diplomáticos do Egito na mediação entre os grupos palestinos.

 

O Egito entregou às duas partes uma proposta que fixa uma série de passos para a reconciliação palestina, a partir de acordos anteriormente definidos. Até agora, o documento só foi assinado pelo Fatah.

 

Abbas justificou a assinatura por duas razões: "primeiro pelo reconhecimento e plena confiança no papel egípcio e, em segundo, pelo compromisso com a unidade palestina". "Ficamos surpresos com a demora do Hamas em assinar o acordo com a desculpa do relatório Goldstone. Depois nos surpreendemos também com a grande quantidade de reservas que apresentaram para assinar, entre estas a não inclusão do relatório Goldstone", disse Abbas.

 

O Egito tinha anunciado que nesta semana assinaria no Cairo a reconciliação, tentativa que perdura desde julho de 2007. No entanto, após a crise suscitada em Gaza e Cisjordânia pelo relatório Goldstone, realizado pela ONU e que estimulou Israel a investigar os crimes de guerra cometidos em Gaza durante a ofensiva militar de dezembro de 2008 e janeiro de 2009, as negociações voltaram à estaca zero.

 

A relação voltou a ficar tensa após o Hamas acusar à ANP de ter pressionado para atrasar até março o debate sobre o texto no Conselho de Direitos Humanos da ONU, embora o relatório tenha sido debatido na sexta-feira.

 

Os nacionalistas do Fatah anunciaram no dia 14 de outubro a assinatura da iniciativa de reconciliação apresentada pelo Egito, mas os islamitas do Hamas denunciaram que os mediadores egípcios tinham introduzido questões novas que não haviam sido discutidas e pediram a inclusão de mudanças para poder assiná-la.

 

Neste sentido, o presidente da ANP ressaltou que a bola está agora no terreno do Hamas e concluiu que o grupo islâmico tinha utilizado o estudo apresentado pela ONU como uma desculpa para não assinar o documento.

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