Abbas adverte EUA sobre riscos de assentamentos à paz no Oriente Médio

Em encontro com enviado americano, líder palestino pede fim do bloqueio de Israel à Faixa de Gaza

Efe

18 de junho de 2010 | 10h33

Mitchell e Abbas no encontro em Ramallah

 

RAMALLAH - O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, advertiu nesta sexta-feira, 18, ao enviado dos EUA ao Oriente Médio, George Mitchell, do risco que a construção de assentamentos por parte de Israel representa para o processo de paz na região.

 

Ambos se reuniram em Ramallah, na Cisjordânia, nesta sexta para debater o diálogo de paz indireto entre palestinos e israelenses mediado pelos EUA. Abbas ainda pediu que o governo de Israel revogue completamente o bloqueio mantido sobre a Faixa de Gaza. Mitchell também se encontrou com o chefe palestino das negociações, Saeb Erekat, um dia depois de se reunir com o primeiro-ministro da ANP, Salam Fayad.

 

"O presidente explicou a Mitchell o risco que supõe a continuação da construção de colônias judaicas em Jerusalém", disse Erekat depois das reuniões. Segundo ele, até a presente data, nenhum progresso foi alcançado nas negociações indiretas de paz, iniciadas em março.

 

Fontes do Departamento de Negociações da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) disseram que no encontro de Mitchell com a equipe de negociações foram abordadas questões como território, segurança e recursos hídricos.

 

Erekat ainda disse que a decisão tomada por Israel na quinta-feira de aliviar o bloqueio mantido sobre a Faixa de Gaza para permitir a entrada de mais bens "não é suficiente". "Ou há bloqueio ou não há, mas não aceitamos medidas pela metade e por isso exigimos o término do embargo", disse a fonte.

 

Os palestinos também elogiaram a iniciativa americana de financiar projetos em Gaza pela primeira vez desde 2007, o que faz parte de um projeto de US$ 400 milhões para o território anunciado pelo presidente Barack Obama na semana passada.

 

Israel

 

Na quinta, Mitchell se reuniu com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e com o ministro da Defesa, Ehud Barak, com quem discutiu formas de impulsionar o processo de paz na região.

 

Esta é a quarta vez que Mitchell tenta fazer progressos entre as partes envolvidas nos conflitos do Oriente Médio, a primeira desde o ataque de Israel contra uma frota de navios que levava ajuda humanitária a Gaza e tentava furar o bloqueio imposto pelo Estado judeu.

 

O enviado dos EUA destacou durante o encontro com as autoridades israelenses a necessidade de que as partes "exercitem a contenção" e se abstenham de "confrontos" e reiterou a esperança de que o atual modo de diálogo leve às negociações diretas entre os palestinos e Israel.

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