Abbas busca apoio de Moscou para palestinos

Governo russo é o único integrante do Quarteto de Madri que tem contato com líderes do Hamas

Christian Lowe, da Reuters,

30 Julho 2007 | 10h22

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, buscou na segunda-feira apoio da Rússia em sua disputa com a facção rival Hamas pelo controle dos territórios palestinos. Abbas dissolveu o governo que era controlado pelo Hamas depois que o grupo islâmico erradicou, em 14 de junho, as forças da facção laica Fatah da Faixa de Gaza. Apesar disso, a Rússia ainda mantém contato com líderes do Hamas. O país é o único entre os quatro integrantes do chamado Quarteto a fazê-lo. Abbas, da Fatah, se reuniu com o chanceler russo, Sergei Lavrov, e vai encontrar o presidente Vladimir Putin na terça-feira. "Apoiamos Abbas fortemente como um líder legítimo de todos os palestinos. Apoiamos todos os seus esforços para restaurar a unidade do povo palestino e retomar o processo de paz no Oriente Médio", disse Lavrov no início da reunião com o presidente. "Estamos convencidos de que a reunião de amanhã com o presidente Putin nos permitirá marcar um futuro mapa para a nossa cooperação e para o processo de paz palestino-israelense." Abbas disse ainda que a Rússia é um ator importante, cujo apoio os palestinos precisam neste período que ele qualificou de difícil. "Temos muito que conversar. Há a questão da unidade palestina, há a questão da paz no Oriente Médio e da conferência de paz", disse Abbas a Lavrov, por meio de um intérprete.   Os EUA pretendem realizar ainda neste ano uma conferência sobre o conflito israelense-palestino, na esperança de que isso leve à retomada do processo de paz. "É claro que vamos discutir todas essas questões com o presidente Putin e vamos discutir com ele formas que possam nos ajudar a sair deste impasse interno e deste impasse político", disse Abbas.   Tomada do Hamas A Rússia participa do chamado Quarteto de mediadores do Oriente Médio junto com EUA, União Européia e ONU.   Washington e Bruxelas vêm tentando fortalecer Abbas e isolar o Hamas com sanções financeiras e diplomáticas. A Rússia diz que prefere manter os canais de comunicação com o Hamas. Na semana passada, Lavrov conversou por telefone com Khaled Meshaal, líder exilado do grupo islâmico. Grande parte da comunidade internacional, inclusive os EUA, exige que o Hamas renuncie à violência, reconheça o direito de Israel a existir e respeite tratados de paz prévios.

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