Abbas descarta negociações com Hamas pelo controle de Gaza

Presidente da ANP chama facção islâmica de "ilegítima e golpista" e se recusa a encontrar líder do grupo

Efe e Associated Press,

30 de janeiro de 2008 | 10h06

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, descartou na manhã desta quarta-feira, 30, conversações com o grupo islâmico Hamas, até que ocorram, segundo ele, condições para tal. Entre as condições estariam combinações para o controle da fronteira da Faixa de Gaza. Ele ainda qualificou o grupo islâmico como "ilegítimo e golpista".  Veja também: Faixa de Gaza foi controlada por otomanos, egípcios e judeus Fronteira não será usada para sufocar palestinos, diz Hamas Abbas, de qualquer maneira, está em um disputa ferrenha contra o rival Hamas e disse que recusará o diálogo até que o grupo entregue à Autoridade Palestina o controle da Faixa de Gaza. A região é controlada pelo Hamas desde julho do ano passado, quando o grupo islâmico expulsou o Fatah. Abbas fez as declarações no Cairo, onde se encontrará com políticos egípcios para definir o status da fronteira da Faixa de Gaza. Uma delegação do grupo Hamas também já se encontra no Egito, onde terá reuniões separadas com funcionários do governo egípcio sobre a mesma questão. "O Hamas não é um grupo legítimo, mas golpista. Ninguém que respeite a si mesmo aceita a existência de uma parte ilegítima, nem dialoga com ela", afirmou o presidente da ANP. "Nós não aceitaremos nenhuma pré-condição, eles precisam voltar ao velho acordo (de fronteiras). Nós estamos mais preocupados com os interesses do povo palestino que o Hamas," disse Abbas, referindo-se ao pacto assinado em 2005 entre a ANP, a União Européia, Israel e Egito sobre a fronteira entre o vizinho e a Faixa de Gaza. O Hamas imediatamente condenou as declarações de Abbas, ao dizer que elas são uma tentativa de impedir que a atual rodada de conversações chegue a uma solução para a crise na fronteira. "As declarações de Abbas mostram seu plano de frustrar qualquer acordo e qualquer progresso durante os encontros no Cairo entre os egípcios, de um lado, e o Fatah e o Hamas, de outro," disse o porta-voz do Hamas em Gaza, Fawzi Barhoum. "Os palestinos pedem que esse portão seja aberto livremente para que existam relações normais entre as pessoas e que seja colocado um fim ao atroz sofrimento," disse Zahar, enquanto atravessava a fronteira e liderava a delegação palestina ao Egito. "Nós estamos aqui para expressar o grau de pressão infligido ao povo palestino por muitos, muitos anos." Nesta quarta-feira, os egípcios fecharam quase todas as brechas na fronteira, que o Hamas havia aberto na semana passada entre Rafah, na Faixa de Gaza, e o Egito. A derrubada no muro permitiu que centenas de milhares de palestinos, desesperados com o cerco israelense, pudessem comprar alimentos e gêneros de primeira necessidade no Egito. Segundo testemunhas, as autoridades egípcias deixaram apenas um ponto aberto na fronteira.

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