Abbas deve pedir apoio de Rice contra sanções em Gaza

Presidente quer evitar medidas restritivas contra território palestino após Israel declarar a região como inimiga

Agências internacionais,

20 de setembro de 2007 | 08h18

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, deverá pediu o apoio da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, durante o encontro que acontece em território palestino nesta quinta-feira, 20. A representante dos EUA deve ainda se reunir em Jerusalém com o presidente israelense, Shimon Perez.A reunião com Abbas e líderes do governo israelense acontece um dia depois de Israel declarar a Faixa de Gaza como um "território inimigo". O anúncio pode significar graves medidas, como o corte no fornecimento de água e luz para o território, afetando mais de 1,5 milhão de habitantes e complicando planos dos Estados Unidos de reviver negociações de paz, visando estabelecer um Estado palestino em Gaza e Cisjordânia. Em Ramala, Abbas deverá pedir à chefe da diplomacia americana que interceda para evitar que Israel aplique punições coletivas em Gaza, como a redução do fornecimento de eletricidade e outros serviços.Rice, que chegou na quarta-feira para uma visita de 24 horas, conversou durante três horas e meia com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert. Nesta quinta, após a reunião com o presidente israelense, Shimon Peres, a secretária declarou que "há muitos obstáculos a superar" antes da conferência regional de paz convocada pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. O objetivo da missão de Rice é conseguir que Olmert e Abbas cheguem à conferência de paz convocada há dois meses por Bush com um acordo prévio que permita retomar as negociações de pazNa quarta, Rice disse que Washington está tentando ajudar os dois lados a chegar a um "entendimento", mas não detalhou se o encontro planejado pelo governo Bush tratará das questões mais espinhosas no conflito de seis décadas entre israelenses e palestinos, como as fronteiras finais de um Estado palestino. Fontes da ANP em Ramala colocaram em dúvida nesta semana a participação de Abbas na conferência. Um dos pontos de desacordo entre o governo israelense e a ANP é que Olmert quer "uma declaração conjunta" como plataforma para retomar as negociações estagnadas desde 2001. Abbas exige um "acordo-base" que contenha prazos e uma solução preliminar para os "assuntos essenciais", como a criação de um Estado palestino com capital em Jerusalém, entre outros.Inimigo declaradoA designação de Gaza como uma entidade inimiga obscureceu qualquer anúncio público de perspectivas de paz que Rice planejava fazer em seus dois dias de encontros com líderes palestinos e israelenses. Israel alegou que seu endurecimento com Gaza visa forçar militantes palestinos na região a suspender o disparo de foguetes contra cidades israelenses. A Faixa de Gaza é totalmente dependente de serviços básicos fornecidos pelo Estado judeu. O rótulo de entidade inimiga pode justificar medidas ainda mais duras, como ataques aéreos e incursões terrestres. Ele também fecha as fronteiras de Gaza, bloqueando o trânsito de mercadorias para dentro e para fora. Rice foi cautelosa em uma coletiva de imprensa com a chanceler israelense, Tzipi Livni. A secretária de Estado dos EUA disse que Washington não abandonará os civis em Gaza e acrescentou que o Hamas "também é uma entidade hostil para os EUA." Livni disse que Israel não está obrigado a entregar nada a Gaza além de ajuda humanitária. "Quando chega o momento das necessidades humanitárias, nós temos nossas responsabilidades," disse Livni. "Todas as necessidades que estão fora da categoria humanitária não serão supridas por Israel," ela disse. O Hamas, que tem o controle de fato de Gaza, não está diretamente envolvido nos disparos de foguete, mas o grupo militante tem feito pouco para reprimi-los. O Estado judeu responsabiliza o grupo islâmico pelos disparos, assim como fazia quando a região era dominada pelo Fatah, do atual presidente palestino Mahmoud Abbas.A designação israelense de inimigo cobre toda a Faixa de Gaza, não apenas os militantes do Hamas que tomaram o poder do território em junho. Os EUA e Israel consideram o Hamas uma entidade terrorista. Ofensiva israelenseSoldados israelenses feriram nesta quinta dois palestinos no norte de Gaza. Em outro incidente, um adolescente palestino morreu num dos campos de refugiados de Gaza, atropelado por uma escavadeira israelense. Esta foi a primeira morte desde que o Gabinete de Segurança de Israel declarou Gaza como "território inimigo" e o Hamas como "organização terrorista".Segundo as testemunhas, as forças israelenses promoveram uma incursão no campo de al-Bureij, contra milicianos que disparam foguetes contra alvos no sul de Israel. Vários blindados e escavadeiras, apoiados por forças de infantaria e helicópteros, entraram no local antes do amanhecer. Houve uma troca de tiros com milicianos, e dois deles foram gravemente feridos.Funcionários do governo israelense disseram que os feridos são militantes do Hamas, e que um deles se encontrava em estado crítico. O porta-voz militar do Exército disse que seus soldados trocaram tiros com milicianos palestinos e que tinham conhecimento somente de um ferido.Na Cisjordânia ocupada, durante as freqüentes batidas noturnas, o Exército israelense deteve esta madrugada oito ativistas palestinos, segundo fontes militares.

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