Abbas dissolve Conselho de Segurança Nacional

Novo governo acaba com grupo no qual líder do Hamas era vice-presidente

Agencia Estado

18 Junho 2007 | 14h26

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, dissolveu nesta segunda-feira, 18, o Conselho de Segurança Nacional em outra tentativa de enfraquecer o movimento islâmico Hamas, enquanto o novo Governo de emergência analisa a situação na Faixa de Gaza.Com a dissolução do Conselho, Abbas destituiu formalmente o último resquício de participação do Hamas nas instituições de poder, pois o deposto primeiro-ministro e líder do grupo islâmico, Ismail Haniyeh, era o vice-presidente do organismo.O Conselho, que existia desde o governo de Yasser Arafat, foi reativado em março por Abbas após os acordos firmados em Meca com os líderes do Hamas, em uma tentativa de restabelecer a ordem e o império da lei nos territórios palestinos.Abbas nomeou na época Mohammed Dahlan como assessor para assuntos de segurança e secretário-geral do Conselho. Dahlan é considerado "homem forte" do movimento nacionalista Fatah em Gaza, o que despertava receios entre os seguidores do Hamas.Enquanto isso, o novo Executivo de emergência, liderado por Salam Fayyad, realizou uma primeira reunião na qual analisou a delicada situação de segurança na Faixa de Gaza e as vias para que a população palestina possa retornar à normalidade o mais rápido possível.O primeiro-ministro receberá esta tarde o cônsul geral dos Estados Unidos em Jerusalém, Jacob Walles, nos escritórios do governo.Espera-se que Fayyad e Walles conversem sobre as medidas para reforçar o novo Executivo designado por Abbas e a retomada das ajudas econômicas por parte da comunidade internacional a este governo, já que não possui membros do Hamas.O ministro da Informação e Justiça, Riad al-Maliki, disse nesta segunda que, apesar das promessas de retomada das ajudas econômicas feitas por Israel e Estados Unidos, até o momento nada foi recebido."Devemos trabalhar dia e noite porque a situação pressiona e não temos tempo a perder, temos que nos esforçar para ajudar o povo palestino", acrescentou Maliki.Após a reunião de gabinete, os ministros tomaram posse nas sedes dos Ministérios na cidade de Ramala, na Cisjordânia.O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) pediu às nações árabes e a comunidade internacional que não mantenham vínculos com o governo de Fayyad, considerado pelo grupo como "ilegítimo".O porta-voz do Hamas na Faixa de Gaza, Sami abu Zuhri, insistiu em que manter contatos com o governo de emergência é considerado uma "intervenção flagrante nos assuntos internos palestinos". Abu Zuhri destacou o fato de que só Estados Unidos e Israel se apressaram em dar as boas-vindas ao novo e "ilegal" governo de Fayyad.Por outro lado, o dirigente do Fatah na Cisjordânia Marwan Barghouti, preso desde 2002 em Israel e condenado pelo assassinato de cinco israelenses, pediu às milícias de seu movimento e do Hamas que cessem os atos de violência.Em mensagem enviada da prisão e divulgada pela mídia palestina, Barghouti anunciou o pleno apoio ao presidente Abbas e a sua decisão de declarar o estado de exceção na Cisjordânia e em Gaza e constituir um Governo de emergência.Além disso, pediu que os membros do Fatah desistam de tomar de forma violenta as instituições regidas pelo Hamas ou com participação de membros do grupo islâmico na Cisjordânia.Em cidades como Nablus, Jenin e Tulkarem, na Cisjordânia, milicianos das Brigadas dos Mártires de al-Aqsa, vinculadas ao Fatah, controlam vários distritos municipais após ter matado membros do Hamas.Matéria ampliada às 11h58.

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