Atef Safadi/Efe
Atef Safadi/Efe

Abbas diz a Obama que vai buscar novo status para palestinos na ONU

Presidente palestino explicou decisão a presidente americano, reeleito na semana passada, em telefonema

Reuters

12 de novembro de 2012 | 10h45

RAMALLAH - O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que pretende seguir em frente com a proposta palestina de obter reconhecimento da ONU como um Estado não-membro, apesar das objeções do líder norte-americano.

Abbas explicou sua decisão a Obama em uma conversa por telefone, segundo o assessor do líder palestino, Nabil Abu Rdaineh. O desafio aos EUA em uma questão tão sensível lança mais dúvidas sobre as chances de qualquer nova tentativa de acordo de paz entre israelenses e palestinos após a reeleição de Obama, na semana passada.

A Autoridade Palestina, apoiada pelo Ocidente, circulou na quarta-feira um projeto de resolução para os Estados membros da ONU que apela para a mudança de status na ONU para Estado observador, apesar das objeções dos Estados Unidos e de Israel.

"O presidente Abbas citou as razões e os motivos para a decisão palestina de buscar o status de Estado não-membro, como a contínua atividade de assentamento israelense e os contínuos ataques a palestinos e suas propriedades", disse Rdaineh.

 

A Casa Branca disse que Obama, em resposta a uma mensagem de Abbas para parabenizá-lo por sua reeleição, usou o telefonema para reiterar a "oposição a esforços unilaterais na Organização das Nações Unidas". Os palestinos são atualmente considerados uma "entidade" observadora na ONU.

Como o Vaticano

 

Frustrados devido ao fato de que a proposta para a adesão plena à ONU no ano passado tenha fracassado em meio à oposição dos EUA no Conselho de Segurança da ONU, os palestinos lançaram uma campanha pelo reconhecimento como um Estado não-membro, semelhante ao status do Vaticano.

A proposta, que poderia ser submetida a votação na Assembleia Geral no final deste mês, implicitamente reconhece o Estado palestino e também poderia conceder acesso a órgãos como o Tribunal Penal Internacional, em Haia, onde poderiam apresentar queixas contra Israel.

A proposta parece garantida de obter a aprovação em qualquer votação na Assembleia Geral de 193 nações, que é composta principalmente de Estados pós-coloniais historicamente simpáticos aos palestinos. Diplomatas palestinos também estão cortejando países europeus para continuar a dar destaque a seu caso.

Israel e os Estados Unidos dizem que o Estado palestino deve ser alcançado por meio de negociações e pediram a Abbas para voltar aos diálogos, que fracassaram em 2010 devido à construção de assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada.

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