Abbas e Olmert aceleram negociações antes da visita de Bush

Premiê israelense e presidente palestino autorizam equipes a "conduzir negociações" sobre questões centrais

ADAM ENTOUS, REUTERS

08 de janeiro de 2008 | 13h16

Os líderes palestino e israelense decidiram nesta terça-feira, 7, à véspera da chegada do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, caminhar nas negociações de paz apesar das desavenças em torno da ampliação de um assentamento judaico na região de Jerusalém. Anunciando os resultados de um encontro entre o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, o porta-voz de Olmert disse que os dois autorizaram suas equipes a conduzir "negociações diretas e progressivas" sobre todas as questões centrais.   Durante os dias que passará em Israel, Bush deve tentar consolidar os compromissos alcançados na conferência de paz de novembro, em Annapolis, a 50 quilômetros de Washington. Na reunião, israelenses e palestinos anunciaram a criação de uma comissão de coordenação das negociações de paz, liderada pelos dois lados e supervisionada pelos EUA. "Esperamos que isso comece dentro em breve", afirmou o porta-voz, Mark Regev, referindo-se às discussões sobre questões altamente controvertidas como as fronteiras de um eventual Estado palestino, o futuro de Jerusalém e o destino dos refugiados palestinos. Os palestinos ainda não se manifestaram a respeito do resultado do encontro de Abbas com Olmert, ocorrido em Jerusalém. Transcorreram seis semanas desde que Bush anunciou as primeiras negociações israelo-palestinas sobre o status final em sete anos. O anúncio foi feito em Annapolis, nos EUA, e o processo visa elaborar um acordo sobre o Estado palestino antes de o norte-americano deixar o cargo, em janeiro de 2009.  Mas as negociações ainda não saíram da etapa inicial. Os palestinos exigiram de Israel que se comprometa com suspender todas as atividades relativas aos assentamentos, incluindo o chamado "crescimento natural," conforme prevê o plano de paz conhecido como "mapa do caminho" e há muito tempo paralisado. Apesar das enormes desavenças a respeito da construção de casas novas em um assentamento judaico localizado perto de Jerusalém, representantes dos dois lados disseram esperar que sejam criados grupos de trabalho para resolver muitos dos pontos mais delicados. Um partido de direita pertencente à base governista de Olmert ameaçou no domingo romper com a coligação caso os negociadores comecem a discutir as questões centrais. Bush dá início a sua primeira visita presidencial a Israel e à Cisjordânia ocupada na quarta-feira. Além de exigir o congelamento da ampliação de assentamentos, os palestinos afirmaram que pretendem pedir a Olmert o fim da campanha de incursões militares na Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas, e em cidades da Cisjordânia, território dominado pela Fatah (de Abbas). Não houve informações, depois do encontro, sobre se o premiê israelense concordou com limitar as ações militares.

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