Abbas exige garantias 'mais claras' dos EUA para negociações diretas

Chefe palestino diz ter recebido mensagem de Obama pedindo diálogo, diz o jornal 'Ha'aretz'

estadão.com.br

21 de julho de 2010 | 09h52

RAMALLAH - O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, disse que resistirá às pressões dos EUA para retomar as negociações de paz diretas com Israel a menos que ele receba "garantias menos vagas" sobre o fim da expansão das colônias judaicas e sobre o estabelecimento de fronteiras para o futuro Estado palestino, informa nesta quarta-feira, 21, o jornal israelense Ha'aretz.

 

Abbas disse aos 128 delegados do Conselho Revolucionário de seu partido, o Fatah, na terça-feira que havia recebido uma mensagem do presidente dos EUA, Barack Obama. O americano teria pedido para que os palestinos voltassem às negociações diretas, mas alguns pontos de sua mensagem eram "vagos" e "pouco claros", particularmente os que diziam respeito aos territórios ocupados, ou seja, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.

 

O discurso de Abbas ao Conselho Revolucionário foi fechado para jornalistas e publicado apenas nesta quarta-feira pelo jornal al-Hayat al-Jadida, administrado pelo próprio Fatah.

 

Abbas disse aos seus partidários que as propostas para a definição de fronteiras e para o congelamento da construção de novos assentamentos deveriam ser bastante claras. "Se isso acontecer, será possível negociarmos diretamente. Não podemos conversar cegamente, e vamos resistir a isso de forma pacífica", disse o líder palestino.

 

Abbas disse que já comunicou sua posição às lideranças do Egito e da Jordânia e que a repassaria à Liga Árabe durante a reunião a ser realizada no próximo dia 29. "Se houver algum progresso até lá, a situação poderá mudar", completou. Do contrário, Abbas disse que aguardaria até setembro para tomar outra decisão, juntamente quando termina o período de paralisação parcial de construção de novas casas anunciado por Israel e o prazo dado pela Liga Árabe para que a ANP mantenha negociações diretas com o Estado judeu.

 

Segundo Abbas, na mensagem Obama disse ter pedido a Israel que tome passos para construir uma relação de confiança com os palestinos, incluindo um fim nas detenções de homens árabes suspeitos de serem militantes, a libertação de prisioneiros e a transferência de algumas áreas da Cisjordânia para a ANP.

 

"Quando concordamos nas conversas indiretas, nada disso aconteceu. Concordamos em conversar para discutir assuntos de segurança e as fronteiras e demos ao enviado dos EUA (George Mitchell) nossas posições sobre isso. Ainda não recebemos resposta dos israelenses", disse Abbas, completando que, se não houver progresso no diálogo de proximidade, não haverá negociações diretas.

 

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse recentemente à chefe de política externa da União Europeia, Catherine Ashton, estar pronto para "correr riscos políticos" para chegar a um acordo com os palestinos, mas apenas se isso não colocar seu país em risco.

 

Durante reuniões com Catherine, o premiê reiterou que quer avançar para as negociações diretas e disse acreditar que isso seria possível dentro de um ano. As declarações, porém, não foram respondidas pela ANP. Autoridades israelenses e de Washington esperam que a cúpula da Liga Árabe autorize as negociações diretas e convença Abbas a realizá-las.

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