Abbas muda leis eleitorais palestinas para favorecer o Fatah

Candidatos políticos precisam reconhecer Organização da Libertação Palestina; Hamas classifica como 'ilegal'

Agência Estado e Associated Press,

02 de setembro de 2007 | 15h34

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, promoveu por decreto neste domingo, 2, uma série de mudanças na legislação eleitoral palestina com a claro intuito de aumentar as chances de seu Partido Fatah, na mais recente tentativa de marginalizar o Hamas desde que o grupo militante islâmico assumiu o controle da Faixa de Gaza em junho.   Forças leais a Abbas detém 19 militantes do Hamas Fatah acusa Hamas de atuar em Gaza como Israel em território palestino   Com o decreto de Abbas, os palestinos agora votarão apenas em listas partidárias, eliminando a eleição distrital. O Hamas dominou as eleições parlamentares do ano passado em grande parte devido à forte votação que teve em nível distrital.   O decreto também exige que todos os candidatos presidenciais e parlamentares reconheçam a Organização de Libertação da Palestina, dominada pelo Fatah, como o "único representante legítimo" do povo palestino.   O Hamas, que não faz parte da OLP, denunciou como "ilegal" a decisão de Abbas.   As diferenças entre o secular Fatah e o Hamas vêm se aprofundando desde que o grupo islâmico ganhou as eleições parlamentares de janeiro de 2006. As diferenças se transformaram em guerra aberta em junho, quando o Hamas erradicou as forças do Fatah, de Abbas, da Faixa de Gaza e assumiu o controle da região costeira.   Abbas respondeu dissolvendo o governo palestino dominado pelo Hamas e formando um novo governo, pró-Ocidental, baseado na Cisjordânia. Ele também anunciou planos de realizar uma nova eleição, apesar de não ter fixado uma data.   Nas eleições parlamentares de 2006, metade das cadeiras eram escolhidas de uma lista nacional e a outra metade em distritos.   Enquanto a votação nacional foi apertada, o Hamas ganhou uma grande maioria dos distritos, aproveitando divisões internas no Fatah, que acabou apresentando candidatos distintos em vários distritos.   Abbas anunciou agora que não haverá votação distrital na próxima eleição. E, acrescentou, todos os candidatos - para o parlamento ou a presidência - têm de aceitar a autoridade da OLP. O Hamas não faz parte da OLP e se opõe aos esforços da organização de negociar acordos de paz com Israel.   Também, as próximas eleições presidenciais terão um segundo turno caso nenhum candidato obtenha maioria absoluta. A mudança fará com que seja mais difícil para o Hamas capitalizar divisões entre os partidos seculares.   Apesar da fala grossa de Abbas, não está claro como ele poderá realizar eleições em Gaza. Enquanto ele clama ser o líder de todos os palestinos, o Hamas continua em firme controle da Faixa de Gaza e é improvável que o grupo aceite eleições antecipadas, ainda mais com a nova legislação. As próximas eleições parlamentares estão previstas para 2010.   Em Gaza, o porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum, considerou as mudanças ilegais.   "Eleições parlamentares antecipadas serão rejeitadas (...) e qualquer emenda à lei também será rejeitada", adiantou. "O Hamas rejeita essa política de monopolizar decisões e desconsiderará seus resultados".   Barhoum defendeu que apenas o parlamento, que é controlado pelo Hamas, tem autoridade para mudar as leis eleitorais. Mas Abbas alega que ele agora detém tal autoridade uma vez que o parlamento não está funcionando.   Israel prendeu cerca de 40 parlamentares do Hamas, sendo impossível formar quórum para uma sessão do parlamento.   O novo governo palestino formado por Abbas foi calorosamente recebido por Israel e o Ocidente.

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