Abbas não paga salários para indenizar vítimas da guerra

O governo do presidente palestino Mahmoud Abbas afirmou neste domingo que começou a indenizar palestinos na Faixa de Gaza que perderam as suas casas durante os ataques de Israel no mês passado. O primeiro-ministro de Abbas, Salam Fayyad, disse que, como resultado, ele não teve dinheiro suficiente para pagar os salários de funcionários do governo, tanto na Cisjordânia quanto na Faixa de Gaza. Os funcionários do governo entraram em greve. A situação mostra as dificuldades enfrentadas por Fayyad, que, além de conduzir um governo dependente de ajuda externa, quer liderar as reconstruções na Faixa de Gaza e colocar o Hamas à margem. O Hamas venceu as eleições palestinas de 2006 e tirou do secular Fatah, de Abbas, o controle da Faixa de Gaza. O grupo islâmico também começou a compensar os palestinos que perderam as suas casas. "Não está claro quando vamos receber recursos dos doadores. Logo, não vou marcar uma data para pagar salários", disse Fayyad à imprensa em Ramallah, base do seu governo. Cerca de 1.300 palestinos foram mortos nas três semanas de bombardeios israelenses à Faixa de Gaza. Cerca de 5.000 casas foram destruídas, além de ruas, pontes e prédios do governo. O custo da reconstrução é estimado em pelo menos 2 bilhões de dólares. Fayyad obteve dinheiro para começar a pagar os palestinos na Faixa de Gaza no início do mês, quando o premiê de Israel, Ehud Olmert, aprovou transferência de recursos da Cisjordânia para Gaza. Assessores de Olmert afirmaram que o dinheiro pertence aos palestinos e não será usado para beneficiar o Hamas. Washington quer que o crédito pela reconstrução vá para Abbas e não para o Hamas. (Reportagem por Ali Sawafta, em Ramallah, Adam Entous, em Jerusalém, e Nidal al-Mughrabi, em Gaza)

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