Abbas pede apoio de Israel para fortalecer Fatah

Novo governo de emergência Palestino só tem o controle sobre a Cisjordânia

Agencia Estado

18 Junho 2007 | 14h25

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, pedirá a Israel nos próximos dias que ajude a fortalecer o novo governo do Fatah na Cisjordânia com medidas como a libertação de presos, o apoio econômico e a reorganização de forças de segurança. Assessores do presidente disseram ao jornal israelense Haaretz que entre as medidas está a libertação em massa de prisioneiros palestinos, entre eles o ex-secretário do Fatah na Cisjordânia, Marwan Barghouti. Muito popular entre as novas gerações palestinas, Barghouti foi preso por Israel em 2002 e declarado culpado pelo assassinato de cinco israelenses. O grupo reconhece a existência do Estado israelense e atualmente está baseado na Cisjordânia, após a ocupação da Faixa de Gaza pelo rival Hamas. Abbas também pedirá ao primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, que o Exército suspenda as dezenas de controles e blitze na Cisjordânia para permitir uma maior mobilidade à população. O objetivo do presidente é melhorar as condições de vida dos palestinos, para aumentar a popularidade do Fatah e do governo de emergência. Outro pedido da ANP a Israel será a permissão para reorganizar as forças de segurança palestinas na Cisjordânia. "A operações israelenses destruíram essas forças na Cisjordânia", disse um assessor ao Haaretz. Israel proibiu que os agentes da ANP andassem armados pelas ruas em 2002, depois da operação "Muro de Defesa". O assessor palestino sustenta que Israel "deve permitir o livre movimento dos serviços de segurança palestinos (pela Cisjordânia) e não impedir que eles sejam treinados". Militares israelenses confirmaram no fim de semana que durante a crise na Faixa de Gaza o Exército permitiu que agentes palestinos entrassem armados pela Cisjordânia e prendessem líderes do Hamas. Finalmente, segundo o jornal, Abbas buscará o descongelamento imediato de fundos palestinos em poder de Israel - para enfrentar as despesas da administração pública - assim como a abertura de um horizonte diplomático. Encontro ministerial O governo palestino de emergência liderado por Salam Fayyad tem nesta segunda-feira em Ramala sua primeira reunião ministerial em meio a críticas do Hamas, que questiona sua legitimidade. O gabinete oficial palestino, formado por 12 membros, inclusive o primeiro-ministro, está reunido em Ramala para fazer uma primeira análise da situação depois da tomada de controle da Faixa de Gaza pelo Hamas, há quatro dias, disseram fontes oficiais palestinas. A missão é definir um plano de ação para resolver os problemas mais urgentes em Gaza e como ele pode ser aplicado, já que o Hamas controla todas as instituições públicas no território. Outro assunto estudado será o reconhecimento internacional do novo gabinete, que não inclui membros do Hamas. O governo de Fayad, empossado interinamente no domingo, não foi reconhecido pelos islamitas, que rejeitaram o decreto presidencial que dissolveu o Governo de união nacional na quinta-feira. Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas na Faixa, disse a um grupo de jornalistas que o gabinete de Fayad "não é um governo nacional e os palestinos não o legitimaram". "Se tiver alguma legitimidade, é a dada por Israel e pelos americanos", afirmou o porta-voz.

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